O Cine Belas Artes vítima das mudanças tecnológicas

Nas últimas semanas foi aberto em São Paulo debate sobre o possível fechamento do Cine Belas Artes, que fica na esquina da Avenida Paulista com a Consolação, em São Paulo. Eu passei décadas da minha vida indo lá ver filmes e reconheço que há um apego emocional/afetivo pelo local, especialmente da gente da minha faixa etária.

Com base nesse apego é que gente como Nabil Bonduki e José Serra politizaram a questão do possível fechamento, tentando impedi-lo. Como se aquele local pudesse guardar um relíquia arquitetônica e fosse um marco na história da cidade de São Paulo. Tudo isso é uma engano.

O atual Cine Belas Artes é um sucata viva. Um monumento elevado à decadência das salas tradicionais de cinema. Eu próprio deixei de frequentá-lo porque ele virou sucata.

As salas de cinema hoje é um complexo de alta tecnologia em imagem e som. Mas também em arquitetura, conforto, facilidade de acesso e outros elementos imprescindíveis para quem mora em grandes cidades como São Paulo.

Por isso o movimento pelo seu tombamento do Belas Artes não passa de um exercício de reacionarismo, mesclado com saudosismo.

Embuste emocional

Cine Belas Artes

Nem o proprietário e nem o público em geral, sobretudo os jovens, têm qualquer compromisso com as imagens de outrora que esses saudosistas guardam carinhosamente na lembrança.

O Cine Belas Artes é apenas sucata cinematográfica e como tal deve ser sumariamente descartado. Se Nabil Bonduki quer mantê-lo como está que o compre, como aliás escrevi em meu Twitter.

Mas essa gente de esquerda quer preservar com o dinheiro dos outros ou o dinheiro público aquilo que não deve ser preservado.

Entraram com processo de tombamento no órgão municipal que cuida do patrimônio histórico. Ora, que há de especial naquela arquitetura? Há algo de especial em sucata cinematográfica? Nada.

Eu soube que o cinema só se manteve operacional nos últimos tempos porque um grande banco lhe subsidiava. O negócio é obviamente inviável e tombar-lhe a arquitetura não dará viabilidade econômica. Muito menos, trará de volta o público de outrora.

A cidade de São Paulo nos últimos anos, recebeu grandes investimentos imobiliários em centros comerciais. Todos eles providos de cinemas de alta qualidade, que atraíram o público consumidor.

Tecnologia, facilidade de acesso, segurança: tudo que o Cine Belas Artes não oferece está sendo oferecido pelos novos centros comerciais. E mais: os novos cinemas estão nos bairros. As pessoas não mais precisam se deslocar para ter acesso a bons cinemas.

O Cine Belas Artes foi sucateado pelas mudanças tecnológicas e pelas inovações do mercado de varejo. Nada a lamentar.

Insisto: se Nabil Bonduki quer o Cine Belas Artes como está que o compre. Mas sei que ele jamais faria isso. Se puder, ele vai estatizar e criar uma reserva para que os seus companheiros do PT se deliciem com as películas falsamente revolucionárias e saudosistas, que querem passar por filmes de arte.

Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Gomes Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas
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