O ritual, atuação magistral de Anthony Hopkins

Por esses dias eu vi e revi o filme O Ritual, estrelado por Anthony Hopkins e dirigido pelo sueco Mikaël Hafström. Ótimo roteiro, o filme prende o expectador do princípio ao fim. Está na senda de O Exorcismo de Emily Rose e do clássico O Exorcista. 

O eixo da história é precisamente a prática do exorcismo como uma necessidade espiritual e a sua fronteira com a ciência médica. A história de fundo é a de um diácono que, em véspera de se ordenar sacerdote, decide abandonar por ser cético.

Diga-se que o cineasta trata das questões do catolicismo com grande respeito e retrata o interior da Igreja com cores modernas, escapando aos estereótipos habituais que lhes são dados pelo cinema.

A atuação de Anthony Hopkins como o Padre Lucas, que de exorcista passa ele mesmo ser dominado por demônios, é única, espetacular. Sozinho ele vale o esforço de ver o filme.

O ponto central é: o demônio existe? Se existe, Deus também existe. É por essa via que o diácono Michel Kovak chegará à fé.

O fato de não se reconhecer a atuação do demônio, de não se acreditar nele, não livra o vivente de sua possessão. Os sofrimentos físicos e espirituais da presença demoníaca são indizíveis.

Importante observar que o roteiro tomou com base fatos reais e os personagens foram modelados a partir daqueles que os viveram. Os nomes dos demônios nominados são de divindades estatais antigas, como Baal e Leviatã. Sempre os mesmos, desde tempos imemoriais.

ritual

O roteiro foca nas experiências individuais, deixando em aberto as questões ligadas ao Estado e à política. Me impressionou bastante o sintoma de possessão que o Padre Lucas apresentou, com tremores nas mãos, lembrando aqueles portadores do Mal de Alzheimer.

Imediatamente liguei esse sintoma àquele apresentado por Hitler nos tempos finais. No filme A Queda – As Últimas Horas de Hitler podemos ver com clareza a progressão do sintoma.

Até então o único sinal evidente da presença demoníaca no círculo familiar de Hitler era a cadela, sacrificada com ele. Eu desconhecia essa conexão entre tremores de membros e possessão.

Quem não sabe é como quem não vê. Pelo tamanho do mal que causou, Hitler deveria conter em si todas as legiões infernais. Faltou-lhe um exorcista no tempo certo.

Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Gomes Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas
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