26 de dezembro de 2011

Goethe e a modernidade

modernidade antiga A leitura do livro DINHEIRO E MAGIA (Rio de Janeiro, Zahar, 2011), de autoria de Christoph Binswanger e com prefácio e posfácio de Gustavo Franco, traz para a reflexão do leitor a atualidade do Fausto de Goethe. Estou convencido de que é impossível a correta interpretação dos fatos candentes da atualidade, como a própria crise econômica, sem uma revisão atenta da obra do poeta alemão.  Binswanger fez uma abordagem muito original e interessante da problemática econômica no Fausto, dando destaque especialmente à questão da moeda. Ele se perdeu, todavia, por dois motivos.

Em primeiro lugar, por não perceber que a metáfora alquímica tem sido usada desde a antiguidade para expressão da ânsia da rebelião do homem contra Deus, da criatura contra o criador. Toda a prática alquímica é o registro desse inconformismo da criatura limitada pela sua condição.  Goethe registrou o momento em que a mentalidade revolucionária (alquímica) alcançou o apogeu (e o poder) na modernidade. Alquimia é uma variante sofisticada do satanismo. O poeta alemão pode, a seu tempo, usar de toda franqueza permitida para os que conseguem compreender sua linguagem. A Arcádia perseguida por Fausto nada mais é do que o real transformado pela mente revolucionária, o recriar de Canaã com outro nome e o maná transformado em leite e mel. É o delírio revolucionário supremo.

Em segundo lugar, ao corretamente associar a moeda fiduciária de curso forçado com o ouro alquímico Binswanger deixou de notar que esse salto revolucionário é produto dos governantes e não dos empresários. Daí que o autor, assim como Gustavo Franco, identificar o homem fáustico com o empresário, quando na verdade Fausto é a encarnação do governante. Só o governante, usando o poder de Estado, tem meios para "aperfeiçoar" a criação. A modernidade é o momento histórico em que o Estado se eleva à condição divina, o substituto de Deus. Os empresários, assim como toda a gente, foram escravizados pelo Estado moderno. O protótipo do homem fáustico é Lênin (e seus assemelhados), que quis criar o Homem Novo a partir da revolução, ele que foi precedido por Robespierre.

A confusão talvez tenha origem no fato de o Ocidente estar sob processo revolucionário desde a II Guerra Mundial, em doses homeopática. O pós-guerra conheceu o triunfo da social-democracia, essa revolução sem ruptura que prometeu a distribuição de renda e o bem-estar social a todos, em troca do uso da moeda fiduciária e do endividamento público para pagar a sua obra alquímica de enriquecimento geral sem contrapartida de trabalho. No momento estamos vendo que essa visão de Estado levou à grande crise que se instalou em toda parte e ninguém sabe como desatar o nó da crise. O fato é que governos estão cortando o orçamento e desfazendo as promessas da social-democracia, mas há uma perigosa rebelião das massas acontecendo, seja pela queda de governos, seja pelas greves gerais de protestos que se sucedem. A ameaça de ruptura política está no ar e o fedor dos anos Trinta do século passado está em toda parte.

No Fausto de Goethe o papel-moeda é introduzido como pilhéria mefistofélica e a narrativa deságua na crise financeira. Goethe na verdade ridicularizou o instrumento como farsa satânica. Lord Keynes é que transformará a pilhéria em coisa séria, depois da crise dos anos Trinta. O inglês, sim, é que foi o teórico apologeta do homemfáustico, que se propôs a superar a crise e alcançar a prosperidade pelo uso do truque mefistofélico da emissão de moeda sem lastro.

Importante observar que Binswanger passa ao largo das profundas questões trazidas pelo esteticismo inaugurado por Goethe, de profundas raízes racistas. A Noite deWalpurgis Clássica é um canto que une a Alemanha com Esparta, uma associação que pretende colocar os germânicos como raça superior, abolindo, com a licença poética de saltos milenares, a herança de Roma e do cristianismo para a Europa e a civilização. Um truque, como também é o truque de unir Fausto com o fantasma de Helena. Na obscura cena do intercurso de ambos está apenas Mefistófeles travestido de fórquias. Ora, Fausto teve na verdade um intercurso homossexual com Mefistófeles e disso nasceu Eufórion, uma personalidade doentia, inflada, que descreve antecipadamente a psicologia alucinada de Hitler. Fausto é o cântico do delírio alemão e sua perdição. Veremos que apenas Thomas Mann, no seu Doutor Fausto, é que fará o acerto literário dessa alucinação toda.

A mente revolucionária faz do dinheiro o bilhete de entrada na Segunda Realidade. A moeda, junto com o sistema jurídico descolado do Direito Natural, molda a alucinada pseudo realidade que já havia sido notada por Cervantes no Dom Quixote. Interessante notar que Dom Quixote é o último cavaleiro cristão, dando lugar a essa sinistra figura da modernidade, que é o Fausto, o doutor.

O poema de Goethe concentra toda a rebelião contra Deus: aceita a tese da predestinação de Calvino e a igualdade trazida pela Reforma e seu livre exame das Escrituras, depois tomada como a base das revoluções, desde a Revolução Francesa. A modernidade pretende abolir por primeiro a hierarquia natural, a começar pela instituída pelo mandamento "amar a Deus sobre todas as coisas". Goethe é o poeta desse delírio.

Os tempos que vivemos são os de acerto de conta com a modernidade. O que virá não sabemos. Ler Goethe − e Binswanger − é a trilha para que não sejamos surpreendidos com os grandes fatos que estão por acontecer. Nivaldo Cordeiro

22 de dezembro de 2011

Esperando 2012

feliz 2012 Nenhum cenário para 2012 tem sido pintado com cores favoráveis. O nosso próprio Banco Central reviu para baixo suas previsões, admitindo que o crescimento não será superior a 3,5%, taxa ainda assim para além de otimista, contra os 5% originalmente esperados.

O que temos visto é que todos os governos do mundo estão realizando cortes orçamentários impiedosos, para fazer frente à crise. Não poderia ser diferente, pois a resposta à crise de 2008 foi o oposto, acelerando o dispêndio público. Finalmente os governos − todos eles de perfil social-democrata − viram-se diante da dura realidade da lei da escassez. A promessa keynesiana de burlá-la, ou superá-la, mostrou-se uma falsificação. Do keynesianismo sobraram a inflação ameaçadora e a desordem nas finanças públicas. E a supertributação, essa condição satânica para que se realize a promessa social-democrata de distribuição de renda pela via estatal. The dream is over!

2012 será portanto um ano ruim em matéria econômica e "quente" do ponto de vista político e da mobilização das massas enfurecidas. Quando os cortes orçamentários forem traduzidos em eliminação de renda dos sócios do Tesouro teremos uma fúria grande, como a que se viu na Grécia e que tem se repetido progressivamente na Inglaterra, Itália, Portugal, Espanha e em toda parte. O fato é que as multidões que vagabundeavam à custa do Estado terão que descobrir o caminho do trabalho, a única via ética para que a prosperidade - coletiva e individual - possa ser alcançada.

A ameaça que paira no ar é a eventual chegada ao poder de políticos populistas, assentados em cima do ódio das massas. Hitler chegou ao poder pelo voto assim. O populismo nacionalisteiro está em alta. As tensões aumentam. É claro que mudanças políticas mais radicais demandam tempo mais largo do que o período de um ano. Todavia, penso que em 2012 teremos a definição das tendências e até dos nomes que poderão chegar ao centro de poder nos próximos anos. Os tradicionais partidos que se alternam no poder poderão ser alijados e eventualmente, para sobreviver, terão que dar abrigo às teses mais radicais.

2012 será o ano a marcar a derrocada da social-democracia. Mesmo que nominalmente se mantenha no poder seu programa mais precioso − o da distribuição de renda via Estado − terá que ser abandonado sem dó. Veremos encolher o número de funcionários públicos e de aposentados. A idade de aposentaria elevada. Resta saber se a outra perna da social-democracia, a intervenção econômica via regulação, será também abandonada. Essa regulação está destruindo a pequena empresa e o empreendedorismo em todo o mundo. Ou seja, destruindo a classe média independente do Estado, esteio político do liberalismo econômico. Se isso vier teremos a bases para mudanças profundas no perfil político de longo prazo. O liberalismo terá sua base social.

Por que esperar a desregulação? Porque é a única via que poderá prover empregos e elevação da produtividade de forma rápida. É o caminho mais curto para o retorno da prosperidade, mas para isso é preciso enterrar integralmente o programa social-democrata. Algo fácil de dizer e difícil de realizar.

Feliz 2012! Ainda assim podemos dizer. O programa social-democrata é uma mentira política escorada por uma falsa ética, que premia desocupados e penaliza quem trabalha. Seu abandono envolve reduzir abruptamente o Estado e seus clientes. Haverá choro e ranger de dentes. Nivaldo Cordeiro

16 de dezembro de 2011

Um novo embuste politicamente correto

lei da palmada Dizem que a Lei da Palmada é um instrumento do Estado pra coibir o castigo físico. Acreditamos que o castigo físico deva ser usado à larga nas instituições que sob a égide dos governos federal, estadual e municipal sentam a borduna nos jovens, alguns, não tão inocentes e merecedores de uma boa cadeia, e não de enrustidas entidades intermediárias que os aperfeiçoam na sua futura carreira de marginais, com especialidades no furto de automóveis, nos assaltos, nos trambiques e outras atividades margino–educativas.

Porém, o macete é enfiar todo o mundo no mesmo saco, mas fiscalizar, nem pensar.

Contudo, os diligentes parlamentares, como um poço de boa conduta e moralísticas intenções, nem se abalam na total implantação da Lei da Ficha Limpa, no fim do voto secreto, de acabar com os Atos Institucionais, entre outras primordiais e prioritárias medidas para acabar com a esbórnia nossa de cada dia.

Mas falou em dar palmadas corretivas, em beber um miserável copo de cerveja e depois dirigir, sai de baixo, pois um furor de moralidade atinge os parlamentares do último fio de cabelo até a planta do pé. Daí, a Lei da Palmada na Câmara ter passado por unanimidade, com mais de 100% de aprovação.

O politicamente correto, traduzindo em miúdos, é tipo aquela cerquinha para prender porcos selvagens. É uma cerca aqui, e outra acolá, e pouco a pouco lá se foi a liberdade. É o aprisionamento físico.

O método do politicamente correto, em alguns casos é o cerceamento da vontade, é a eliminação da opção, é a limitação da liberdade, não apenas física, mas intelectual.

Apresenta-se o problema, como o das armas, e as armas matam inocentes e bandidos. Mas, se sublinharmos que só matam inocentes e batermos nesta tecla inúmeras vezes, chegaremos à conclusão de que aqueles que têm armas, se cidadãos são criminosos (ter arma é um crime inafiançável), se bandido, não, é instrumento de trabalho. Assim, criamos mais uma cerquinha politicamente correta.

Como ninguém reclama, chegamos a um ponto em que os insatisfeitos ficam envergonhados, temerosos de serem os únicos, e se calam.  Desse modo, vamos engolindo de medida politicamente correta, em medida politicamente correta, e como bois no pasto, cada dia mais ruminantes.

Veja bem, caso você chame uma bichona de viado, foi enfiado na cabeça da população que o travestido sofrerá um trauma tão grande e poderá ficar tão lelé da cuca que o agente do chamamento ao expor o drama sexual do coitado, estará cometendo um crime e será preso no ato.

O bom senso sobre as diversas medidas politicamente corretas que têm sido enfiadas na nossa cabeça nos alertam que elas chegam ao desplante de serem ridículas, pois do alto da nossa idade nunca escutamos alguém em altos brados chamar um travestido sexual de viado. Talvez, isto ocorra lá nas zonas do baixo e do alto meretrício. Quem sabe.

Os craquentos ou cracosos, comunidade adepta do uso do/da crack, novo alvo de benesses desgovenamentais, como todos estão carecas de saber, são por nossa culpa, numa visão de que os outros sempre serão os culpados e, portanto, devem pagar.

As medidas anunciadas custam caro.

A mensagem é impositiva, devemos acabar com os doentes por crack, e haja providências prometidas, tratamento hospitalar de pronto, bolsa-crack para quebrar o galho do viciado, seringas de graça, apoio psicológico, surra nos pais que não deram o apoio necessário ao rebento renitente, e aumento de impostos para financiar esta nova campanha politicamente correta.

É isso ai minha gente, você sempre será o culpado, e como tal, vai pagar. Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Esses tais valores ocidentais

Na última segunda feira Vladimir Safatle publicou na Folha de São Paulo (Valores ocidentais)  artigo que me deu o que pensar. O autor fez escárnio do que há de mais caro na herança greco-judaico-cristã, chegando a negar mesmo que eles existam. E mais. Confundiu a herança grega com o que recebemos de Sófocles e, implicitamente, Epicuro, como se os grandes da Grécia não fossem Sócrates, Platão e Aristóteles. O artigo portanto é uma prova acabada de ignorância histórica e filosófica. Desmascarar sofistas assim é importante para que a mentira não triunfe sobre a verdade. Nivaldo Cordeiro

12 de dezembro de 2011

Herança maldita do partidão

uniao europeia Ontem eu olhava os canais de TV e parei vendo a GloboNews, programa Painel. A trinca de "especialistas" (Paulo Francini, Silmão Silber e Juan Jensen), ancorada por William Waack, debateu no primeiro bloco as decisões européias da semana passada. Todos eles infelizes com a inflexibilidade da senhora Angela Merckel, que não quer ver o Banco Central europeu transformado em emprestador de última instância e sancionador da irresponsabilidade fiscal dos parceiros quebrados. Mais que ninguém a Alemanha sabe do valor indelével de uma moeda saudável.

No segundo bloco foi analisada a situação do Brasil. E aqui foi a minha grande surpresa quando Paulo Francini, criticando os demais especialistas, reclamando da desindustrialização do Brasil, clamou por um "plano" de salvação da indústria nacional. Isso mesmo! O velho e malfadado "plano", a varinha de condão de todos os comunistas mundo afora. A Fiesp será talvez a mais vetusta instituição infiltrada pelas teses do Partido Comunista, que sempre fez do "plano" a mola mestra da ação econômica estatal.

Por que há desindustrialização? Por razões conhecidas: 1- A China, usando da sua imensa reserva de mão de obra, simplesmente deslocou as plantas industriais do mundo para seu território. Lá o Estado, paradoxalmente, tributa pouco, o mercado de trabalho é desregulamentado e os trabalhadores ganham bem pouco. Compensa aos empresários atravessar o globo para lá produzir. Isso retirou plantas industriais inteiras do Brasil; 2- A política cambial do governo do PT descobriu as delícias do câmbio valorizado, ancorando a baixa taxa de inflação. O partido sabe que a perda de controle sobre os preços pode lhe custar o poder político. Aproveitou o momento favorável dos preços da commodities e afrouxou a política fiscal. O impacto nos preços só não é corrosivo ainda porque o câmbio segura tudo. Ninguém sabe até quando.

O que o "plano" teria a fazer contra isso? Nada. Paulo Francini e sua Fiesp avalizaram Lula e o PT e não podem pleitear mudanças na política salarial, bem como na política do mercado de trabalho enrijecido, tão cara aos sindicalistas da base do governo. A inflexibilidade do mercado de trabalho é total. Não há também como ter surpresas na taxa de câmbio, pois o sistema de metas de inflação tem  se mostrado bom para administrar conflitos e permitido a navegação em meio à crise.

O tal "plano" pleiteado teria portanto o encargo de fazer o que essa gente da Fiesp sempre quis e pleiteou: reserva de mercado, barreira tarifária e subsídios estatais para o suposto "desenvolvimento" industrial. O velho filme dos anos cinqüenta. Claro que os tempos são outros e tal receita não tem sequer condições de ganhar respeitabilidade política.

Paulo Francini e seus pares não discutem o único caminho possível, o de repensar o Estado social-democrata ossificado, que transformou a população brasileira em rentistado Estado. A supertributação vem nesse processo, outro vetor a tirar competitividade da indústria nacional. Reduzir a regulamentação no mercado de trabalho, amenizar a necessidade de financiamento externo pela elevação da taxa de poupança e liberar os forças de mercado são as únicas bandeiras sensatas, mas Paulo Francini nem opinou sobre essa possibilidade. Ficou apenas no mágico "plano", como se essa loucura não tivesse sido completamente desmoralizada desde o naufrágio da ex-URSS. Nivaldo Cordeiro

Desvirtuando até ideologias

Acreditar ou não, ser ou não ser, a favor ou contra, estas questões afloram na cabeça dos indivíduos, pelo menos, de alguns, visto que em geral a maioria não se preocupa com nada, e vai de preferência na onda.

Os dilemas se aplicam às escolhas, sexuais, políticas, religiosas e ideológicas, entre outras. Comunista, socialista, democrata, budista, sadomasoquista ou qualquer outra questão, os indivíduos vivem, e alguns optam por uma ou mais tendências ou simpatias.

Nesta linha de raciocínio, em 1922, quando foi fundado o então denominado "Partido Comunista do Brasil", surgiram por aqui os primeiros admiradores do regime comunista.

A seguir, uma serie de mudanças, que interessando aos seus ícones russos, levou os comunistas a enfrentarem questões que provocaram uma, duas, varias dicotomias em suas convicções.

Linha russa, a trotskista, a rural, a do Fidel, a chinesa, a urbana, e surgiram, conforme as conveniências, uma montoeira de “o melhor caminho”, que dividiram os comunas nacionais.

Contudo, a dissidência maior, além da linha a seguir, pois uns achavam “isso” e outros “aquilo”, era a permanente vaidade, a satisfação do ego, que predominava quando conveniente para um individuo que se bandeava para um lado ou outro.

A proliferação de organizações comunistas que inundaram este País demonstra como eles eram divididos, em especial por interesses pessoais. Ou seja, desde aquela época, a sua ideologia era o pano de fundo para ambições e interesses pessoais.

Em outras palavras, o brasileiro é o mesmo, seja comunista, socialista, ou de outro credo, sempre quer levar vantagem, e muda de camisa e, se for o caso, divide o seu grupo em seu beneficio.

Hoje, encontramos esta jovem nação comunista-socialista, mergulhada em patifarias. Os mais intelectualizados analistas sentenciam que o PT está levando o País à bancarrota moral, que está arrastando, propositadamente, ao fundo do poço, o legislativo e o judiciário, pois pretende numa reviravolta, assumir o poder total.

Bom, é inegável que está em curso uma desmoralização geral da sociedade. A promoção de dicotomias antes inimagináveis ocorre célere, e sabemos quem promove esta esbórnia em todos os campos – a ideologia lulo–petista. Não é marxista, não é trotskista, não é ...

Nós, do alto de nossa descrença, e conhecendo o povinho desta terra, chegamos à seguinte conclusão: o PT de há muito abandonou qualquer resquício ideológico, afirmamos que a tal ideologia foi esfacelada, e o que persiste de fato é o uso do instrumento, de um disfarce para a tomada do poder.

E esqueçam-se de qualquer base ideológica, o que transparece realmente é a maneira da cúpula do partido adonar-se do poder.

É duro alguém de sã consciência imaginar que o metamorfose seja praticante de qualquer ideologia (será que ele já leu algum livro sobre o tema ideológico?), e que as sua ideologia é o seu desejo de mando. Mas ele deitou cátedra. Esqueçam Marx, Lênin e adjacências. Em breve erigirão uma estatua do LULA.

A turma quer mesmo é morrer abraçada ao poder e nos seus benefícios, a tudo que os conduza ao que é do bom e do melhor. O poder institucionalizado de mandar sem questionamentos, a riqueza, a mordomia, e a tranqüilidade de decidir sem oposições.

Pode ser que os ingênuos ainda vislumbrem, firmes posições e crenças ideológicas, contudo, basta olharmos a corrupção, o amealhamento de fortunas, a maneira como eles se lambuzam no poder, criando dicotomias para dividir, e sempre sendo beneficiados, para perceber que o viés ideológico, existe apenas para engabelar, para enfraquecer os falidos oponentes, pois de fato ele não existe mais.

Nem eles acreditam.

De fato, acreditamos que exista um pensamento, uma convicção de que eles são especiais, e nós somos o resto; eles os predestinados, que nasceram para dominar, para ditar regras como iluminados do século XXI, e nós fomos paridos para serví–los, e basta que eles nos alimentem com migalhas de pão e deleitem com joguinhos de futebol e estaremos maravilhosamente satisfeitos.

O duro é que parece que eles têm razão. Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

3 de dezembro de 2011

O nosso jeitinho frouxo e cretino de ser

Lá se vai mais um ano, e a cada dia torna - se impossível não ser mais orgulhoso de ser brasileiro. Estamos em paz com a nossa consciência (?), pois não importa se vivemos sob a ditadura da corrupção, e que o peculato não é crime, mas sinal de inteligência (gostou do elogio Lupi?), e o que interessa é que vivemos despreocupados, e que o problema é dos outros, não nos interessando se os outros são VOCÊS.

Depois que do nada viramos um tudo, e passamos a usufruir de carros, mulheres, riquezas, poder e impunidade. Nós atingimos o panteão da esbórnia institucionalizada sem o menor esforço.

Não importa que o País esteja estratificado, o que importa é que vivemos em êxtase. No País, testemunhamos um verdadeiro milagre em andamento, que promete durar mais vinte, trinta anos.

Não adianta falar que a carga tributária do brasileiro está próxima de 40% do PIB, e que o país tem um dos piores índices de qualificação e eficiência de seus serviços públicos.

Não importa que o país acumule troféus de incompetência, seja no IDH, o 84º lugar; no analfabetismo, o 95º; na mortalidade infantil, o 106º; na renda per capita, a 71º; e ocupe apenas o 52º lugar entre 110 países da América Latina melhor para se viver, e que estamos no primeiro lugar no mundo em corrupção, com mais de R$ 80 bilhões desviados do bolso de VOCÊS.

Se alguém afirma que o metrô de Brasília é o mais caro do mundo, não podemos deixar de falar com a boca cheia, que nada devemos às mais avançadas nações do mundo. Sim, quantos países atingiram tal situação? Quantos países podem taxar os remédios, e o brasileiro é um doente crônico, com 33,9% de impostos, que pagamos sem o menor muxoxo?

O que importa, se temos apenas 3% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, e uma participação no comércio mundial em torno de 2%, e que a nossa dívida interna está só em um trilhão e 500 bilhões de reais?

Sem contar, que patrocinamos uma bolsa-família que paga para cinco filhos, e até os quinze anos de idade. E, conforme a necessidade de cooptação de votos, o atual benemérito desgoverno pode ampliar o leque, pois sabe que alguém sempre pagará a conta.

Devemos apedrejar os que soltam vitupérios contra esta maravilhosa gestão, alegando que no período de janeiro a outubro de 2011, o Governo Federal já gastou R$ 197,7 bilhões de juros da dívida pública. Esse valor astronômico é superior à soma dos orçamentos anuais da saúde e da educação, que somaram R$ 143 bilhões.

Não importa que a “presidenta” no exterior, impossibilitada de negar-se a dar uma entrevista não diga coisa com coisa e, para piorar, tropece nas palavras, que soam com gritante incoerência. No País, atém-se a um texto pobre, elaborado para não colocar em circuito sua imensa teia de neurônios mortos (provavelmente, durante as sessões de tortura).

Não importa que nada de grandioso tenha sido construído nos últimos dez anos para sedimentar necessidade futuras, seja na infraestrutura seja na educação, pois acreditamos piamente que Deus é brasileiro, e ele nos proverá.

Não temos escolas, nem hospitais, mas teremos imensos e majestosos estádios de futebol, pois nossa sede de circo é imensurável. Quanto ao pão, haverá sempre uma bolsa com uma cesta fornecida por ELES, às suas expensas.

Com a inflação subindo, para 2012, modifiquemos os índices dos seus componentes e, zás - tráz, ela diminuirá. Viram como é fácil?

Sim, estamos orgulhosos, pois apesar de tudo, aumentamos o nosso já elevado índice de aceitação, tanto do EX como da atual presidente. Sim, somos calhordas, mas quem não é, somos jeitosos, somos coniventes, malandros, aproveitadores e, sabiamente, mandamos o futuro para o inferno.

É isso aí gente, ninguém vive de valores, ninguém está preocupado com honestidade, com princípios, com justiça, abdicamos de pruridos que na prática tolhem espertezas.

Por tudo, estamos eufóricos, que se preocupem com o amanhã aqueles que vierem no futuro. A vida atual é boa, não a estraguemos lendo jornais e revistas aos serviços da fajuta oposição.

O nosso espelho é a metamorfose ambulante, exemplo de que tudo se pode, e no espelho, refletimos a imagem de nosso mestre, e como a dele, as nossas faces enchem - se de orgulho. Nós somos os caras.

De fato, somos honoris em causa própria, em patifarias, em malandrices; o que trocando em miúdos, nos eleva aos píncaros do gênero cafajeste de ser dos vivaldinos. Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

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