31 de outubro de 2011

O Doutor Fausto de Tomas Mann III

TEOLOGIA. Thomas Mann, a partir do capítulo X, vai descrever a formação universitária de Adrian Leverkhün, oportunidade em que aproveita para descrever o ambiente universitário anterior às Grandes Guerras na Alemanha, que foi o próprio ambiente vivido por ele. O personagem, apesar de ter abraçado a Música como vocação, escolhe estudar Teologia. Faz sentido do ponto de vista do interesse de quem se opõe às coisas de Deus e também para compreender a ação do Negador. Thomas Mann aproveita esse trecho para meditar sobre o bem e o mal, tema tão importante e tão caro aos seguidores do esteticismo.

No capítulo X podemos ler a fala posta na boca de Adrian: “Os alemães pensam em duas direções e fazem combinações ilícitas. Sempre querem uma coisa e outra, querem ter tudo. São capazes de produzir temerariamente antitéticos princípios do pensamento e da existência, através de grandes personalidades, mas, sem seguida, embaralham-nos, empregando as fórmulas de uns no sentido dos outros, criando uma confusão total e pensando que seja possível conciliar a liberdade e a nobreza, o idealismo e a infantilidade natural. Mas, segundo todas as possibilidades, isso não é possível.”

Essa locução enigmática precisa ser compreendida dentro do conjunto da obra de Thomas Mann e especialmente na visão relatada no José e Seus Irmãos. Neste romance Thomas Mann ainda abraçava a visão dualista, fazendo uma leitura “esotérica” dos textos bíblicos. Especialmente no momento da bênção da Jacó podemos ver o dualismo goethiano: bênção em nome do mais alto e do mais profundo. O Doutor Fausto será a superação desse dualismo em Thomas Mann e esta locução serve para mostrar a consciência do autor sobre o tema. Ele superou a armadilha espiritual proposta por Goethe, mas o povo alemão não, fato que o levou ao descaminho niilista. E Thomas Mann é enfático em atribuir a toda a gente alemã a responsabilidade pela catástrofe da II Guerra Mundial e aos muitos crimes praticados pelo nazismo.

Importante salientar a escolha da Universidade de Halle para o curso de Teologia. Berço do luteranismo e da teologia liberal, aqui serão introduzidos dois personagens fascinantes, na pele de dois professores. Thomas Mann recorda aqui o ano de 1541, que deu a Halle o primeiro superintendente luterano e diz, pelo narrador, que o primeiro superintendente tinha sido “um daqueles que tinham se bandeado das hostes humanistas às da Reforma”, magoando Erasmo de Rotterdam. Este “entristecia-se ainda mais em face do ódio que Lutero e seus seguidores mostravam com relação às letras clássicas, das quais o próprio Lutero só conhecia os rudimentos”. Thomas Mann afirma que a escola abraçou o pietismo, “que tomava conta de toda faculdade de Teologia”. Acrescenta que “os reformadores talvez devam ser reputados indivíduos retrógrados e emissários da desdita”. Preciso lembrar que a tese mais cara ao pietismo é a da predestinação, que subverte a exigência do comportamento moral.

Thomas Mann ainda acrescentou: “O pietismo, de acordo com a sua índole exaltada, queria na realidade obter uma separação nítida entre a piedade e a ciência, afirmando que nenhum movimento, nenhuma alteração nos domínios científicos podia exercer a menor influência sobre a fé. Mas isso era uma ilusão, já que em todos os tempos a teologia, voluntária ou involuntariamente, se deixou dominar pelas correntes científicas do respectivo período; sempre desejou ser filha de sua época, ainda que os tempos lhe dificultassem isso cada vez mais e a relegassem a um cantinho anacronístico”.

Concluiu: “Pode-se observar claramente como se infiltraram no pensar teológico irracionais correntes da Filosofia, em cujos domínios havia muito o não teórico, o vital, a vontade ou o instinto, numa palavra outra vez o demonismo, tinham-se tornado tema central da Teologia... Pois a teologia ligada ao espírito da filosofia da vida, do irracionalismo, corre por índole o perigo de transformar-se em demonologia”.

SCHLEPFUSS. Thomas Mann contrapõe as aulas de teologia de dois professores. O primeiro citado é Ehrenfried Kumpf, teólogo liberal que se gabava se saber de cor as obras de Goethe e Schiller. Essa simples afirmação já mostra o quadro ideológico e teórico da escola. É todo o panteísmo goethiano que forma a juventude alemã e lhe destila o esteticismo carregado de pietismo, dando ao mal o sentido de motor da história, levado às últimas conseqüências por Hegel e Marx. O narrador vai mostrar que Kumpf “via como Pai da Mentira o Espírito Maligno (que) exercia sua atividade justamente na razão, e raras vezes tratava disso, sem acrescentar a frase: Si Diabolus non esset medaz et homicida! (Se o diabo não fosse mentiroso e assassino...)”. Kumpf reconhecia o mal como uma realidade imediata, o que se depreende da obra de Goethe, especialmente do seu Mefistófeles, que não é uma mera criação literária, mais parecendo uma experiência do autor.

Nesse ponto entra o personagem Eberhard Schleppfuss, uma espetacular criação literária de Thomas Mann. O próprio nome revela que é Mefistófeles transformado em professor, o Coxo. Dava um curso livre eletivo de “Psicologia das Religiões”, que na verdade era um curso sobre a presença do mal. Toda a concepção demoníaca do mundo originada em Goethe ganha contornos teológicos na boca de Schlepfuss. É um duplo teológico do professor de música anteriormente descrito. Vemos pois que o próprio Mefistófeles é o pedagogo de Adrian Leverkhün. O narrador: “A ingênua convivência que o professor Kumpf tinha com o Diabo era simples brincadeira em comparação com a realidade psicológica que Schelepfuss conferia à figura do Destruidor, personificação da traição a Deus. Pois, se me permitem expressar dessa forma, acolhia ele dialeticamente na esfera divina o escândalo do pecado e o inferno no empíreo, elevando a perversidade à categoria de necessária e congênita correlação de santidade, a qual, por sua vez, seria uma contínua tentação satânica, convite quase irresistível à violação”.

À altura da página 142 é quando Thomas Mann abre parêntese pela primeira vez no Doutor Fausto para falar da II Guerra, então em curso. Esse intercurso entre a ficção e os fatos históricos é a peculiaridade do romance que não permite interpretação alternativa do tema tratado. Alemanha, teologia reformada, demonismo, esteticismo, niilismo, guerra, a proibição de amar ao próximo. Tudo se conecta maravilhosamente neste “livro do Diabo”, formando um quadro definitivo que mostra como o Ovo da Serpente foi gestado. Imagino quanto deverá ter custado a Thomas Mann, ele que, ao longo da produção do livro, adoeceu seriamente e, por muito pouco, não morreu, passando por uma cirurgia de pulmão. Depois da grave doença é que logrou concluir o livro.

A teologia de Schlepfuss não difere essencialmente daquilo que escreveram Goethe, Hegel e Marx sobre o princípio da Negação: “O Mal contribuía à perfeição do Universo e, sem aquele, este não seria perfeito. Por esse motivo, Deus o admite, já que Ele mesmo é perfeito e, portanto, deve querer a perfeição – não no sentido do Bem absoluto e sim no da universalidade e do recíproco reforço da intensidade da existência. O Mal era muito mais malvado, porque havia o Bem, o Bem muito mais belo, porque o Mal existia. Ora, talvez – isso seria discutível – o Mal não fosse mau, se não houvesse o Bem, e este não seria bom, sem a presença do Mal. Agostinho, pelo menos, ousara afirmar que a função do Mal consistia em salientar mais nitidamente o Bem, o qual seria muito mais aprazível e louvável, quando o comparássemos com o Mal. É bem verdade que nesse ponto o tomismo interveio, advertindo do perigo de crer que Deus desejasse que o Mal acontecesse”.

Percebe-se que nesses capítulos Thomas Mann registrou sua longa meditação sobre o Mal que vira emergir na Alemanha e devastar a Europa e o mundo, praticando os crimes mais cruéis. Muita coragem espiritual do Thomas Mann, que na prática desqualificou o seu autor mais querido, Goethe, juntamente com Nietzsche. “A verdadeira justificação de Deus em face do mísero espetáculo da criação consistia em sua faculdade de fazer o Bem brotar do Mal”. Essa heresia posta na boca de Schlepfuss era negada de forma dolorosa pelo espetáculo da guerra que agora se desenrolava em solo alemão. Do Mal só podia brotar o Mal, é isso que Thomas Mann pregou nesse livro magistral, deixando-se comover pelo holocausto que ceifava os judeus – e a própria Alemanha como nação.  Nivaldo Cordeiro

Continua no próximo post

A terra não é redonda, deve ser obtusa

Para a grande maioria das pessoas a terra é redonda. Da mesma forma, na atualidade, é crença predominante de que a terra não é o centro do universo. Estes foram mitos ou crenças que dominaram a compreensão das pessoas por séculos.

De repente, uma descoberta, uma comprovação e diante do óbvio (?), os incrédulos mesmo a contragosto, tiveram que admitir que estavam ou eram enganados com falsas informações.

Em 1989, caiu o muro de Berlim. Alguns julgam que foi por ação da natureza, um terremoto, um vento forte. E apesar de tudo, muitos (?) ainda acreditam nesta versão.

Para um bando de adeptos do comunismo a queda não ocorreu pelos motivos alegados pelos democratas e foi iniciativa do governo da URSS, que decidiu que a sua derrubada era uma boa, pois os miseráveis alemães que padeciam no seu paraíso social acorreriam para o lado rico que ficaria numa situação econômica catastrófica nas décadas futuras. O que de fato aconteceu.

Até hoje a Alemanha sente o drama da herança maldita do comunismo. Para outros, como os seus filhotes no Brasil, o PCB, o PPS, o PC do B, e o PSOL e “caterva”, era o sinal para a adoção de novas posturas, recorrentes com o jeitinho brasileiro de ser cretino, para a montagem de novas estruturas e manter firme o codinome de comunistas, pois demonstravam se não coragem, pelo menos uma cara-de-pau digna de respeito (?).

Esta última versão, ao contrário daqueles que mudaram suas opiniões a respeito da terra ser ou não redonda, e ser ou não o centro do universo, assustadoramente, se apega na crença de que o comunismo está vivo e forte, e em seu nome fazem qualquer coisa, inclusive, roubar.

De certa forma, para eles é cômodo ser comunista, e bradar a sua ideologia aos quatro ventos, pois na sua boçalidade aproximam-se de seus coirmãos, os socialistas-oportunistas, aproveitando-se de uma fraude, que afanou da direita, o direito de bradar que ela também deseja o bem-estar das populações, e que é favorável aos direitos humanos, e coisas similares.

Com este discurso destrutivo, propagado pela mídia cooptada, nada restou para a direita, a não ser uma combalida democracia.

Se a esquerda é favorável às minorias, o outro lado, não. Se as esquerdas são favoráveis à eliminação ou diminuição das desigualdades sociais, para a passiva direita sobrou a pecha de ser favorável às dicotomias, de ser contra a melhoria de vida dos cidadãos em geral, e assim por diante.

Nada sobrou para a pobre e miserável direita. É medonho ser democrata. É bom ser socialista ou comunista. Dá ibope.

As recentes descobertas de falcatruas, conduzidas com fervor revolucionário pelos comunistas empedernidos, demonstram que seus ideólogos são apenas de oportunidade, pois adquiriram os péssimos hábitos que marcaram o regime comunista nos países que o adotaram desde 1917, e esta praga alastrou-se pelo globo, sempre com polpudas vantagens para os privilegiados ocupantes de sua cúpula.

Entretanto, quanto ao proletariado continuava a comer o seu minguado pão, manietado pelo domínio do estado em todos os setores, com os seus postos de mando ocupados por cumpanheiros, o que decretava na ausência de meritocracia (já vimos este filme), a falência das empresas e dos setores sob o comando do poderoso e intocável Estado. Nações que desabaram como a destroçada Cuba.

Mas não adianta, é comum aparecerem na mídia estes ladinos comunistas afirmando que a terra não é redonda (obtusa?), e que o comunismo ainda será o regime do futuro, deles. Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

O câncer de Lula

A revelação de que o ex-presidente Lula foi diagnosticado com câncer na faringe provocou imediatos impactos políticos, ainda impossíveis de serem mensurados. De um lado, a doença pode aumentar o seu carisma eleitoral, pois bem sabemos do caráter messiânico de que nossa gente é portadora. Do outro, o momento infeliz da revelação pode atrapalhar a vontade política manifestada por Lula, especialmente em São Paulo, onde pessoalmente escolheu e estava forçando para que o ungido da legenda seja Fernando Haddad. A senadora Marta Suplicy não se entregou a essa vontade política e continua lutando para viabilizar seu próprio nome. Certo que a doença o enfraquece dento da burocracia partidária. Nivaldo Cordeiro

Breve, só faltará um. Amém!

irmaos petralhas Aos poucos os cumpanheiros do idolatrado mestre estão caindo. É a pura verdade. Entronizados por ele, apadrinhados por ele, abençoados por ele, mas quando levantada a pontinha do tapete, eis que emergem grandes e descarados patifes.

Aos poucos, talvez por excesso de confiança, as quadrilhas de malfeitores que sugaram o País nos últimos nove anos vão se desmantelando.

Ledo engano, não as gangues, que com codinomes de partidos políticos, prosseguem incólumes, mas pelo menos rolam as cabeças de seus “capos”. O novo corifeu designado pela alta cúpula do partido e endossado pelo desgoverno, sempre demora um pouco para se enturmar e, assim, a Nação perde menos dinheiro... por algum tempo.

O roubo institucionalizado pela ocupação de membros de um partido aliado em todos os níveis, este permanece, pois a substituição de alguns nomes, não estancará a patifaria; pois com novas experiências, novas artimanhas, os ladravazes ficarão mais cuidadosos.

A malandragem acontece em todos os níveis, por exemplo, vejamos aquele simples funcionário (que é do partido), e que engaveta a liberação de um pagamento, que segura no fundo de sua gaveta um processo que depende de despacho de superiores, até que os prejudicados, em desespero o procuram, pedindo pelo amor dos céus que libere os seus processos para o devido andamento, e o ladino funcionário, mediante módica propina atende. E isto acontece em vários patamares.

É logico que diante de tantas constatações, de que corre solta uma penca de maracutaias, provavelmente, em cada ministério ou autarquia, o mínimo que o povinho pode, é ficar cabreiro. Quer dizer que esta tchurma vem dando golpe há tanto tempo?

Uma cruenta realidade é a que a roubalheira naquele período corria solta, e se não aparecia, é por que havia uma cabeça-mor que, matreiramente (não vi, não sei, não estava), acobertava os deslizes sociais de seus “capôs” (aloprados) subordinados. Acresça-se ao desfortúnio dos celerados, que uma parcela da mídia, aquela mais consciente e não cooptada, resolveu fazer o que os órgãos para tanto destinados não fazem, isto é, investigar.

Acumulam-se no período pós-cretinice institucionalizada, além das constatações citadas, o destempero dos larápios ideológicos, que imunizados contra a possibilidade de serem descobertos e acusados, provavelmente, abriram a guarda, e roubaram tanto e com tal descaramento, que fingir não ver, e negar a roubalheira, não foi mais o suficiente para esconder tanto descalabro.

No andor da carruagem, breve todos os ministros endossados pelo antigo presidente estarão definitivamente expurgados do desgoverno.

Orlando é o sexto a cair em dez meses do desgoverno Dilma, depois de Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Nelson Jobim (Defesa), Wagner Rossi (Agricultura) e Pedro Novais (Turismo). Com exceção de Jobim, que criticou o governo diversas vezes, todos os titulares deixaram o cargo após acusações de corrupção. Sem esquecer a Erenice.

A dúvida é se um dia, teremos o chefe da quadrilha devidamente reconhecido como meliante número um. O “capo” de todos os “capos”. Nós sabemos que o homem é vaidoso, e poderá num futuro próximo vangloriar–se de ser o maior patife que já apareceu na face deste imenso Brasil.

Sim, o título não é para qualquer um. Só mesmo um portentoso e imbatível cretino poderá atingir os píncaros desta glória. Ele poderá ser galardoado como Doutor Honoris Causa em Demagogia e Populismo no mais proeminente grau. Uma espécie de Macunaíma falastrão.

Não custa sonhar de que breve a realidade se esborrachará na cara desta Nação, e o fabuloso embromador será acusado de ter institucionalizado a mentira, a desonestidade e a impunidade, e mergulhado este País numa formidável falta de vergonha. Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

26 de outubro de 2011

Libia adota sharia

Membros do governo revolucionário da Líbia anunciaram a implantação imediata da sharia. Esse é o sinal definitivo de que quem tomou o poder foi a Irmandade Muçulmana, do mesmo nível da que tomou o poder no Irã quando da queda do Xá. Significa: governo de partido único religioso, ditadura teocrática, anti-ocidentalismo militantes. O povo líbio sofrerá retrocesso civilizacional imediato. Claro que haverá resistências, especialmente dos partidários de Kadafi. Não morreram todos. Penso que a guerra civil estoura tão logo as tropas da Otan desapareçam no horizonte. Nivaldo Cordeiro

25 de outubro de 2011

Quem ganha com a desmoralização da “Base aliada”… Ao PT? O PT, é claro!

base aliada governo Desde a eleição de 1989, fala-se que o PT teria organizado internamente um serviço especializado em informação e contrainformação. Muitas vezes funcionou. Outras vezes, como no caso dos "aloprados", naufragou. Nas CPIs de Collor e dos Anões do Orçamento, e no caso do Dossiê Cayman (alertando ser falso), etc., se dizia que o serviço de informação do PT funcionou com seus links de militantes nas áreas de investigação federal, PF, MP... A mensagem divulgada na intranet da Abin, em 2005, durante a CPI dos Correios, onde seu diretor chamava os parlamentares de "bestas-feras no picadeiro", e que culminou com o seu afastamento, insinuava uma ação de contrainformação naquele momento, desde dentro do órgão.


O mensalão de 2005 tirou da direção do PT o "grupo" dito revolucionário e, em função disso, os ex-dirigentes da CUT assumiram o partido de lá para cá. A autoridade de Lula passou a valer para dentro do partido e, em seguida, legitimada com sua popularidade, para fora. O "grupo" se acomodou e se encolheu. A escolha de Dilma, por Lula, fora da máquina partidária, e a montagem de uma base de apoio que vai da direita da direita, à esquerda da esquerda, empurrou o governo para o Centro-Difuso, isolando o "grupo".


Claro que essa situação não agrada aos "revolucionários". Apesar do PT ser amplamente favorecido na montagem do governo, administrações direta e indireta, empresas, bancos e fundos, a correlação de forças no parlamento não o favorece. São apenas 16,5% dos deputados federais. As votações do Código Florestal e da Emenda 29 (Saúde) mostraram isso.


Como não há como aumentar a bancada do PT, o caminho trilhado foi debilitar relativamente os aliados, inventando um partido e desintegrando, inclusive, aqueles que não tinham e não têm a confiança do "grupo", como Palocci. A cada ministro -aliado- levado a pique, se via que as ações anteriores (algumas delas identificadas e divulgadas) iam criando o ambiente para o tiro de misericórdia.


O que se garante nos restaurantes e corredores em Brasília é que os vazamentos de personagens e fatos caem no colo da imprensa vindos diretamente do "grupo", desde dentro do governo. Claro que é mais fácil atacar com fatos reais que com suposições. Independente disso e de qual bola é a da vez, vai se debilitando a "base aliada" e, com isso, transformando os ministérios dos aliados em uma burocracia sem expressão. Alguns são mortos-vivos esperando a reforma ministerial.


Os ministros -que ficam- perdem o poder que tinham, de decidir, e de nada adianta terem portas abertas aos deputados. Os parlamentares da "base aliada" não têm mais canal com os ministérios de seus partidos e têm que ir buscar no PT -dentro do governo ou no Congresso- a autorização ou a aprovação de que precisam.


Os 16,5% quantitativos passam a ser o dobro, qualitativos. Os ministérios da base aliada, na substituição dos desviantes ex-ministros, perdem expressão. E o ministério passa a ser de ministros de primeira do PT e de segunda dos demais. Basta acompanhar a agenda da Presidente e ver a frequência de despachos com uns e outros.


A cada dia fica mais claro que todo esse desmonte interessa ao PT. Poder-se-ia dizer que há razão para esse desmonte. É verdade. Mas essas razões são as mesmas dos últimos anos e com os mesmos personagens. Só que a presença de Lula inibia a ação do "grupo", pois se atingisse a imagem de Lula, o castelo de cartas desmancharia e o PT iria junto. Agora não há esse risco e, com isso, toda ousadia é válida. Ex-coluna do César Maia

24 de outubro de 2011

Quem derrubou Kadafi

kadafi morto Em resposta aos meus vídeos sobre os acontecimentos na Líbia, gravados no calor da hora, recebi várias manifestações de incompreensões do meu ponto de vista, como se a mensagem não estivesse contida no próprio meio em que foi soprada. Dois tipos de pessoas me criticaram. De um lado, os jacobinos de alma, aqueles que estão sempre prontos para a subversão se o governante não passou pelos ritos da democracia de massa, como se só o voto universal legitimasse o exercício do poder. Essa tese é de uma cegueira atroz e não tem respaldo na ciência política séria. Fosse assim a China não seria um Estado legítimo, ditadura comunista de partido único fechada que é, um exemplar acabado do marxismo-leninismo. Não obstante meu nojo pelo comunismo, digo e repito que a China tem um sistema governante legítimo, pois é internamente aceito, assim como externamente. Nenhum governante se mantém contra a vontade de seu povo.

Esses jacobinos tomam aquilo que se consolidou no Ocidente para servir de diktat de comportamento a toda gente. Obviamente que isso é loucura. Nesse grupo encontram-se proeminentes liberais, mas também a esquerda festiva de toda ordem, provando o parentesco próximo dessas duas correntes iluministas.

Outro grupo de pessoas que me criticou foram os que simplesmente abominam o poder autocrático e tem náuseas de sua violência. Tem bons sentimentos, mas carece de acuidade analítica. Bom mocismo não torna ninguém bom analista da política, que precisa ser vista como ela é. Se Kadafi fazia o mal, também fazia o bem e o principal deles foi ter dado à Líbia uma longeva estabilidade, ímpar naquela região. Sob seu governo a Líbia enriqueceu e prosperou e todos os indicadores apontam para o contínuo aumento do bem estar social.

Aproveito a informada coluna de Giles Lapouge, no Estadão (Sarkozy senhor da guerra), na qual descreve com crueza cínica como a França tornou-se autora do golpe que derrubou Kadafi, num gesto imperialista sem paralelo nos tempos atuais. Bom que se diga que com a bênção de Barak Obama, de olho na contenção da expansão chinesa no continente africano. Viu-se aqui como vidas de inocentes foram sacrificadas aos milhares para satisfação da vaidade e da sede de poder de tiranetes supostamente “democráticos”, como esse vil Sarkozy.

Se a moda pega, nem mesmo a América do Sul estará livre de excursões predatórias imperialistas dessa natureza. Não é possível ser condescendente com essas ações, pois tornam a diplomacia inútil e a lei do mais forte o fator de decisão entes as nações, como foi a regra na primeira metade do século XX, de triste memória. Eu sou mais intolerante com atos imperialistas do que com tiranos eventuais, pois estes podem estar contribuindo com seu próprio povo e com a estabilidade política. Ações imperialistas são sempre nefastas e contrárias ao direito natural. Nivaldo Cordeiro

O propinoduto dos Esportes

O escândalo do ministério dos Esportas, com a revelação de alto esquema de corrupção que envolve a pessoa do ministro Orlando Silva e o governador do Distrito Federal (ex-ministro), Agnelo Queiroz, revela um padrão. Desde que assumiu o governo o PT degradou a ação política e fez do poder de governar um instrumento para assaltar o Tesouro. Seja diretamente, seja pela "base aliada". O Estado brasileiro, que representa a Nação, está aviltado. As autoridades responsável fingem quem nada acontece, escondem-se em biombos jurídicos ridículos. A presidente é a primeira a acobertar o malfeito, ao menos enquanto não escolhe o sucessor da mesma gangue para continuar a roubalheira. Todos somos culpados, nós que, direta ou indiretamente, pusemos o PT no poder. Nivaldo Cordeiro

22 de outubro de 2011

O Doutor Fausto de Thomas Mann II

“Uma ordem estúpida é ainda melhor que nenhuma” Adrian Leverkhün, no Doutor Fausto

doutor fausto Uma palavra sobre a técnica narrativa do Doutor Fausto. Thomas Mann se vale aqui de um personagem narrador, pois assim ele poderia produzir o “livro do Diabo” com menores sofrimentos e mais desenvoltura, escapando a confissões ou disfarçando os elementos autobiográficos, conforme está dito no opúsculo A Gênese do Doutor Fausto. Não se devem subestimar as dificuldades de ordem psicológicas de Thomas Mann para produzir o livro: ele, o discípulo de Goethe, o leitor assíduo de Nietzsche, a personificação da cultura alemã, teve a seu encargo narrar, em tempo real, a derrocada da amada Alemanha, a matança em larga escala de seu próprio povo. As circunstâncias biográficas levaram-no a ser o maior inimigo civil do nazismo e a se tornar o primeiro exilado desse regime odioso. E a ser o seu maior cronista.

Quem estuda a biografia e a obra de Thomas Mann não pode deixar de se encantar com essa faceta heróica, essa inteireza moral que é sua marca inconfundível. Sem renegar sua herança cultural Thomas Mann acabou por ser o narrador mais crítico do esteticismo, tão saliente na produção cultural alemã, desde Goethe. E, no âmbito religioso, a contundente crítica ao que a Alemanha construiu de mais peculiar, o luteranismo, ramo protestante que o próprio Thomas Mann seguia, por tradição familiar.

A relação entre o narrador – Serenus Zeitblom –, um católico, e o personagem principal é também simbólica. O primeiro admira e inveja o segundo, embora esteja consciente de cada passo que este deu para o mergulho no pacto mefistofélico. Não terá sido assim a relação do mundo católico com o protestante? Do mundo meridional com o mundo setentrional? O refinamento psicológico do narrador é sublinhado por essa percepção de que o catolicismo sabe que o protestantismo está em erro e, no entanto, apresenta essa ponta de inveja por suas realizações fausticas, contrariando suas crenças mais profundas. Esse pano de fundo é absolutamente necessário para explicar a inação do mundo diante de Hitler, personificação do niilismo esteticista que tomou contra da Alemanha até o limite do suicídio. O catolicismo ficou paralisado diante do olhar ofídico do demônio do Norte.

Na construção do personagem Adrian Leverkhün Thomas Mann precisava de alguns elementos. Ao localizar o seu nascimento em Kaisersaschern, cidade medieval, “cidades das bruxas” e berço do luteranismo, o autor demarcou a gênese do problema. Um tio, dono de uma loja de instrumentos musicais, foi o elemento narrativo que permitiu o elo entre essa origem nada sofisticada e o mundo maravilhoso da música erudita. A loja de instrumentos do tio lhe deu contato com toda a orquestra sinfônica e o inseriu no meio musical. É característico da genialidade de Thomas Mann dar essa normalidade narrativa, fazendo a costura verossímil da história, inventando esses atalhos lógicos.

[Vemos algo semelhante no livro A MONTANHA MÁGIA. Thomas Mann, no final da obra, precisou introduzir a ópera como elemento de cena essencial à aparição de Mefistófeles. Como introduzir espetáculos de ópera no acanhado ambiente de um hotel especializado em doentes? Recorreu a uma prosaica vitrola, então um instrumento recém aparecido. Por ela, as grandes óperas foram descritas e intercaladas no enredo, especialmente a ópera Fausto, de Gounod. Considero este o romance mais espetacular de Thomas Mann e essa narrativa uma expressão da sua genialidade.]

Aqui também é introduzido o personagem essencial à trama: Wendell Kretzschmar. Uma homenagem a Goethe também. O personagem é nascido nos EUA, como que um filho dos imigrados que vimos na obra goethiana Os Anos de Aprendizado e Wilhelm Meister, que no final narra a imigração de alemães que aderiram ao puritanismo para o Novo Mundo. É essencial esse traço porque Goethe e a Alemanha culta aderiram à tese da predestinação de Calvino. Esta tese é o tijolo fundamental da quebra da relação religiosa entre obras e salvação, ou pelo menos do comportamento moral coerente com a vontade divina na ação no mundo. De todas as teses protestantes essa é a mais nefasta e a mais contrária ao espírito do cristianismo, que sempre repetiu a ênfase judaica na conduta moral de seus seguidores. Não teríamos a morte de Deus, de Nietzsche, se não tivéssemos o calvinismo e a tese da predestinação, portanto, não teríamos o nazismo sem essa alucinação teológica.

Frase exemplar posta na boca do jovem Adrian Leverkhün (capítulo VIII): “A barbárie é o oposto da Cultura somente naquela ordem de pensamento que esta coloca à nossa disposição. Fora de tal ordem, o oposto pode ser muito diferente e talvez nem seja oposto”. É preciso entender o termo cultura como o era no início do século XX: em oposição à civilização, a falsa dicotomia que colocava o mundo protestante em oposição – e superior – ao mundo católico. O próprio Thomas Mann escreveu um livro se alinhando com essa noção falsa, que ele depois superou e denunciou.

O personagem Wendell Kretzschmar será o pedagogo musical de Adrian Leverkhün, um esquisito erudito, cantor gago, uma sombra. O capítulo IX foi escrito com base nas conferências desse erudito, um mergulho profundo na história das grandes peças musicais e na técnica de composição. É um capítulo que exige o conhecimento especializado do compositor e do historiador da música. Thomas Mann relatou que o reescreveu com a ajuda de Adorno e Schoemberg, mantendo-se rigoroso do ponto de vista do erudito musical. Não é possível deixar de admirar a concisão e a clareza em meio a um tema tão difícil. Recordo aqui a sentença posta na boca de Adrian Leverkhün: “A Música é a ambigüidade organizada como sistema”.

No final do capítulo XIII temos o breve diálogo que colocará o tema essencial do Doutor Fausto, que abaixo reproduzo: a proibição de amar.

Adrian: – Consideras o amor a mais forte de todas as paixões?

Serenus: – Conheces outra mais forte?

Adrian: – Sim, o interesse

Serenus: – Imagino que esse termo significa para ti um amor privado de qualquer calor animal.

Adrian: – Proponho que aceitemos essa definição.

Aqui está colocada a essência do pacto faustico. O anti-amor ao próximo.

Continuação deste tema no próximo post

Doutor Honoris em Casco Duro

Circula na internet, que do alto de seus doutorados profusamente outorgados por diversas e renomadas universidades, o nosso doutor honoris–causa mor, sentenciou para o Orlando: negue, finja que não vê, desconverse, se o chamarem para se defender, não o faça, fale de suas origens, do que pretendia fazer, mesmo que não tenha feito nada, se elogie, mas, primordialmente, acuse à oposição, aos invejosos, à direita, à imprensa, e tudo em alto e bom som. É a chamada Lei do Casco Duro. É a sentença máxima do cara –de-pau.

Infelizmente, para os desabonados Antônio Palocci, Erenice Guerra, Antônio Pagot e para o rei do Turismo que não seguiram à risca a estratégia do Sun Tzu tupiniquim, deu no que deu, sambaram.

Não que foram ou serão apenados por suas falcatruas, mas perderam muito, pelo que deixaram de ganhar. Agora, provavelmente, se arrependem por não seguirem os ensinamentos do amado mestre.

Sempre somos atordoados com perguntas do tipo, como é que pode? O homem não fez nada de produtivo, como recebe altíssimas pagas para palestrar? Como é condecorado com o galardão de doutor honoris causa aos montões?

Diante destas indigestas indagações, concluímos que existe um complô internacional da esquerdalha intelectual, que unida desmoraliza, implacavelmente, e tripudia com escárnio do direito de honorificar um imbecil.

Provavelmente, sua máster pièce deve ser a sua pregação sobre o uso implacável da sua teoria, não exclusiva como a de Einstein, pois antes dele muitas a empregaram com êxito. Contudo, mesmo não sendo original ou pioneiro, sua expertise tem guindado o descarado canastrão aos píncaros da sacanagem, e a sua pratica na arte do não sei, não estava, não ouvi, são filhotes da Lei do Casco Duro, que pelo seu inegável êxito, elevaram-no ao hall da fama da malandragem. Ele é “Hours–Concours”, logo honoris para ele é pouco.

O Orlando, cercado por denúncias desfila impávido deitando falação, como recomendado, e segue nos seus mínimos detalhes o manual do pequeno mestre, de como enganar tantos por tanto tempo.

Sabemos que está em diligente montagem, assim como o do Sarney, o memorial do douto narcisista, espera-se que o templo da bandalheira, num futuro próximo contenha a sua obra, que fatalmente está ou será elaborada.

O futuro “Best Seller” será uma espécie de manual, assim como Marighela escreveu o seu edificante “Mini Manual do Guerrilheiro Urbano”, esperamos, ansiosamente, que o belo Antônio do lulo-petismo produza o MANUAL DO CASCO DURO.

O Manual ou o vade mecum do Casco Duro será uma bela mistura do jeitinho brasileiro, da célebre Lei de Gérson, das lições de Macunaíma, de ensinamentos colhidos pela prática exitosa de seus postulados, e pela observação atenta da conduta de foras–de–série, como Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Collor, Jaqueline Roriz, Valdemar da Costa Neto, e uma cambada de outros, que comprovam no seu dia-a-dia, que a arte de enganar sem fazer força é antes de tudo uma dádiva, e deve ser acalentada com sublime apreço.

Tanto que merece até um manual, ou uma cartilha, ou um kit a ser distribuído pelo Ministério da Educação (com diversos bonezinhos do MST, dos sindicatos, da UNE..., e máscaras de riso, de choro, de indignação, suando, esbravejando, mentindo, fingindo...).

E não adianta espernear, para o Orlando, deu certo. Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

15 de outubro de 2011

O Doutor Fausto de Thomas Mann - I

thomas mann SÍMBOLOS, é tudo que se precisa compreender para uma boa leitura da obra de Thomas Mann, especialmente o seu Doutor Fausto. Nenhuma palavra poderá ser desprezada no romance, sob pena de se perder o fio de raciocínio do autor na obra. O Doutor Fausto é o apogeu da carreira de romancista de Thomas Mann e é também a maior e melhor interpretação da tragédia alemã, que culminou na II Guerra Mundial.

Não se pode compreender o que aconteceu se não forem buscadas as raízes. O ponto inaugural do processo histórico alemão se deu com a Reforma, que teve duas conseqüências. A primeira foi a negação da hierarquia natural e, portanto, o triunfo do igualitarismo, que virá a ser a idéia mestra da modernidade, consolidada com a Reforma. Esse igualitarismo, no plano político, redundou na emergência do homem-massa ao poder. A segunda foi a franca rebelião contra Deus, que irá significar aquilo que Fernando Benayon captou sinteticamente na fascinante personalidade do personagem Adrian Leverkhün, a proibição de amar. Quem não cumpre o primeiro mandamento, amar a Deus sobre todas as coisas, não pode cumprir o segundo, amor ao próximo como a si mesmo.

É nesse contexto que se deve inserir a obra seminal de Goethe, o profeta e o grande intérprete da Alemanha antes do próprio Thomas Mann. A lenda do Fausto (e a também a de Mefistófeles, o Demônio do Norte, seu correlato) é essa expressão poético-literária que dá o conteúdo da alma alemã. É aqui que se funda a idéia de germanidade, que irá gerar o racismo nazista, de trágicas conseqüências, bem como a depreciação do elemento da civilização, um sinônimo perfeito para a herança católica. Fausto é essa inflação do indivíduo que busca superar o próprio criador. Goethe, ao imaginar a Noite de Valpurgis Clássica, onde expôs o intercurso entre Helena e Fausto, mostrou esse impetuoso desejo germânico de abolir qualquer relevância de Roma e do catolicismo, como se isso fosse possível. A narrativa é aterradora. A beleza poética não esconde seu caráter medonho. O filho desse intercurso, Eufórion, é uma prefiguração de Hitler. Um símbolo por excelência.

No final do século XIX essas idéias caricatas cristalizaram-se na obra de Nietzsche que, louco enlouquecido com a germanidade, o autoproclamado assassino de Deus e da moralidade, será ele mesmo o ideólogo do desamor, tão essencial ao nazismo. Nietzsche é o fundador da cultura de morte, embora dissesse o contrário, chamando a morde de vida. Thomas Mann irá fundir simbolicamente essa trilha histórica ao esculpir o personagem principal do Doutor Fausto.

ADRIAN LEVERKHÜN. Ao formar o personagem, Thomas Mann conseguiu somar no mesmo símbolo Lutero, Goethe e Nietzsche. O fato de ser músico acentuou o caráter dionisíaco – demoníaco – desse momento histórico. O riso de Adrian é o sublinhar desse demonismo.

O personagem nasceu na região de Wittenberg, em Kaisersaschern, explicitando a raiz luterana. O pai é mostrado como um alquimista que lê a Bíblia traduzida por Lutero, encadernada em couro de porco. Aqui se percebe a ampla dimensão do símbolo. Nem mesmo o couro de porco usado para a encadernação pode ser esquecido. O animal imundo por excelência, o que não levanta a cabeça ao alto, o que fuça nos charcos imundos e nos monturos sujos dos quintais. Percebe-se a genialidade do autor que, nos cinco primeiros capítulos, colocou integralmente a genealogia do problema alemão, do nazismo, do mal que emergiu integralmente na primeira metade do século XX.

Interessante que as primeiras aulas de música tomadas por Adrian Leverkhün vieram de uma mulher que vivia de pés no chão, no curral. Imunda. Inculta. Um feminino altamente negativo, demoníaco. Essa entrada da música na vida do personagem dá bem o caráter inferior que a arte musical adquire quando posta nas mãos de um seguidor de Dionísio. Essa ambigüidade da música é ancestral. O riso e a música como característica do elemento negador encarnado em Mefistófeles.

O cão Suso fecha o quadro do simbolismo inicial do Doutor Fausto e estará presente ao longo da vida de Adrian Leverkhün. O cão que sempre foi o símbolo de Mefistófeles. Nivaldo Cordeiro

Acompanhe a sequência deste assunto no próximo post

Fracasso da marcha contra a corrupção

Editorial do Estadão de hoje tenta associar o fracasso da Marcha contra a Corrupção à relativa prosperidade em que o Brasil se encontra, por força de circunstâncias internacionais. É um utilitarismo cego que obscurece as verdadeiras causas. A primeira é que a direita política, a única oposição real ao PT, está acéfala. Não tem militância, não tem líderes e não tem votos. A segunda é que a bandeira da ética era a do PT, que chegado ao poder mergulhou fundo nas práticas corruptas, como o Mensalão. O PT não tem qualquer interesse em mobilizar seus militantes nesta causa. A terceira é que a prática de mobilização só é eficaz quando resultado de um movimento maior, orgânico, ficando a manifestação como elemento exterior. Esse movimento de oposição não existe, logo manifestações de rua acabam por ser extemporâneas e incapazes de mobilizar multidões. Alie-se a isso o fato de que o dia 12 é consagrado a Maria Mãe de Deus, que retirou dos católicos qualquer interesse pela mobilização. Nivaldo Cordeiro

13 de outubro de 2011

Marchas Contra a Corrupção

Impossível não falar das “Marchas Contra a Corrupção”, que no dia 7 de setembro e, agora, no dia da Padroeira do Brasil e também dia da criançada tomaram conta de importantes avenidas e ruas de diversas cidades do País, convocadas pela internet que, assim, evidencia o seu formidável poder de mobilização.

É uma pequena chama, considerando-se uma população de muitos milhões, mas é abrasivo o suficiente para esquentar os ouvidos dos crápulas e atiçar o bando de revoltados, que ainda persiste acomodado sem coragem de reclamar.

Ao contrário das Marchas realizadas no dia 7 de setembro, estas, sem perderem a sua palavra de ordem de “Marcha Contra a Corrupção”, são mais incisivas.

Elas bradam pela efetiva aplicação da Lei da Ficha Limpa, reverberam contra o escandaloso voto secreto, esbravejam contra a propaganda eleitoral que poderá ser paga com o dinheiro publico e outras centenas de reivindicações pertinentes, pois, nitidamente, seus alvos são as mazelas elaboradas para abusar da população e para conceder aos seus representantes uma pletora de benesses imperdoáveis.

E tudo, apenas graças ao incentivo de uns tantos corajosos que se atreveram a convocar a revolta necessária contra alguns abusos flagrantes do poder.

E não faltam motivos para unir estas parcelas da população que se sentem vilipendiadas nos seus direitos e enganadas sob o império de leis impingidas em benefício de minorias e ou de grupos.

Sim, parece que há um pouco de vida inteligente abaixo da linha do Equador. Alvissaras aos seus idealizadores, aos que não compareceram aos desfiles das paradas gays, não se juntaram às centenas de greves que proliferam neste País, aos que não votam no BBB, mas que saíram às ruas, não por melhores salários, mas clamando por um pouco de dignidade.

Hoje, as Marchas são pacíficas. As massas humanas que as compõem, exigem honestidade, correção, lisura, respeito. Os manifestantes trazem dentro de si a revolta dos conscientes, dos que acompanham a grande lixeira que a Nação está se transformando.

Não clamam por nenhum nome, por nenhum partido, por nenhuma ONG, por nenhum credo, raça ou cor, querem a volta dos valores, da cidadania, a volta da meritocracia e, claramente, demonstram que não suportam a impunidade, a corrupção.

Que fiquem atentos os crápulas e os desonestos de plantão, as Marchas, hoje são tranquilas, passeios pacíficos de indignados; mas acreditem os patifes, os manifestantes poderão transformar - se num incontrolável conjunto de revoltosos, caso não percebam nenhuma atitude das autoridades para atender aos seus justos reclamos.

Salvo melhor juízo, estamos começando a escutar o grito da maioria, que é tímido no seu início, titubeante nos seus primeiros passos, mas que se consolida, engrandece, fortalece e levará, no futuro, aos trambolhões, para a rua da amargura toda a canalhice que se instalou nos três Poderes.

Quem viver verá. Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Olavo de Carvalho lendo Maquiavel

nicolau maquiavel Volto ao tema do livro de Olavo de Carvalho sobre Maquiavel (Maquiavel ou a Confusão Demoníaca, Vide Editorial, Campinas, 2011) porque o tema é muito importante e porque o autor conseguiu, com o livro, elevar-se a um patamar em que estão Leo Strauss e Eric Voegelin. A chave para compreender a obra está precisamente no subtítulo: a confusão demoníaca. O legado monstruoso de Maquiavel se estende desde que escreveu e foi um dos autores fundamentais a fundar a modernidade.

Olavo de Carvalho lançou mais luz sobre a ciência política ao mostrar a alma aleijada que foi o florentino, uma aberração moral e um oportunista sem sucesso. É incrível como a modernidade vai lhe dar crédito. Todos os jacobinos candidatos a novos príncipes o exaltaram, bem como seus intelectuais acólitos. Sem a Reforma Maquiavel não teria sido mais do que uma curiosidade na história da ciência política. Entendo que a Reforma cristalizou a rebelião contra Deus e abriu as portas para que os Estados nacionais passassem a encarnar a própria divindade e a sua lei adquirisse a pretensão de vontade divina.

Os filhos mais diletos do florentino estão no século XX, tempo maldito. Lênin é seu discípulo, assim Hitler e todos os totalitários. Maquiavel desdenhou da obrigação moral daqueles que chegam ao poder. O elo entre moral e poder foi descoberto por Platão e aos governantes nunca foi permitido ignorá-lo. Maquiavel achou que dizia novidade ao proclamar a autonomia do príncipe em relação à transcendência. É apenas a subversão contra Deus na sua dimensão mundana. A Reforma encarregou-se do resto.

O capítulo 10 do livro de Olavo de Carvalho (Inversão Paródica do Cristianismo) é bem didático ao percorrer as cambalhotas do florentino quando pretende alavancar o pensamento da Igreja para justificar seu amoralismo. Maquiavel não passa de um anticristão bastante consciente de sua deficiência moral. Ele foi assim o profeta dos novos tempos modernos, com seus horrores e suas subversões. O livro do Olavo de Carvalho foi muito feliz na apresentação desse Maquiavel amaldiçoado. Nivaldo Cordeiro

10 de outubro de 2011

Distribuindo injustiças ou premiando criminosos

Em 30 de setembro de 2011, a Comissão de Anistia reuniu-se (51ª Caravana da Anistia, em Recife) para premiar. É uma espécie de distribuição do “Oscar da Subversão”, só que além do reconhecimento do heroísmo dos indicados e seu reparo moral, distribui indenizações polpudas e “pro–labores” mensais sem qualquer imposto.

A magnânima Comissão é soberana e indigesta, pois investida de uma benemerência sem paralelos, já distribuiu cerca de 4 bilhões de reais. O povo, esta entidade fantasmagórica, nem percebe e, portanto, nem reclama, apesar dos bônus saírem dos pesados impostos que paga.

Na verdade, os resultados das salomônicas decisões, por estapafúrdias e amiudadas, nem merecem grandes manchetes nos jornais. Não sabemos se por precaução da Comissão, visto que alguns casos são tão escabrosos, que podem causar constrangimentos, os laureis são silenciosos, como recomenda a lei da surdina.

Os indignados reverberam contra, escrevem, denunciam, mas qual, são meros coaxares num imenso lago de absurdos.

Entre os premiados na última leva, um se destaca, o Juiz trabalhista Theodomiro Romeiro dos Santos, que juntou o ilustre à galeria dos aquinhoados com os pródigos reparos financeiros com os quais a Comissão abençoa, pelos seus relevantes feitos, os vitimados pela repressão.

Não temos o relatório conclusivo lavrado pela impoluta Comissão, mas podemos, pelos resultados da imparcial decisão daquele instrumento de justiça a serviço da bandalha, imaginar algo como:

“Considerando-se que o inocente cidadão Theodomiro demonstrou ser um valente defensor de suas causas, não titubeando em pegar em armas para enfatizar suas crenças ideológicas, tornando-se um exemplo para os demais comparsas, ele é merecedor de todo o nosso apreço”.

“Suas qualidades de homem de ação ficaram patentes em inúmeras operações realizadas, sobremodo quando, injustamente, foi preso e, com destreza, furtando a arma de seus algozes, disparou contra um deles, mortalmente. Testemunhas afirmam que o tiro não foi pelas costas como alegam alguns mentirosos. Comprovou-se que a vitima, demonstrando surpreendente rapidez, fruto do intenso treinamento sofrido nos órgãos de repressão, ao vislumbrar o estampido, agilmente virou-se de costas, para que o tiro o atingisse por trás, tentando demonstrar que o disparo fora efetuado quando estava de costas para o Theodomiro”.

“A tentativa de desqualificar a corajosa performance de Theodomiro não logrou êxito. Foi fundamental para a sua glorificação, o fato de após atingir pelas costas, o que já vimos não foi verdade, o Sargento da Aeronáutica Walder Xavier de Lima, o vivo premiado ainda efetuou dois disparos que feriram o agente da Polícia Federal Amilton Nonato Borges.”

“Como sempre, alguns desclassificados alegam que se o objetivo dos órgãos de segurança fosse o de matar os terroristas, Theodomiro poderia ter sido morto, no fragor da batalha, pelo agente que o rendeu.”

“Mas, para a glória e o enriquecimento de seu currículo, Theodomiro foi apenas preso e condenado à morte, pena comutada para prisão perpétua e, posteriormente, reduzida para oito anos de prisão, quando conseguiu fugir da penitenciária da Bahia. Depois de passar alguns anos em Paris, regressou ao Brasil em setembro de 1985. Recebido como herói, declarou que iria filiar-se ao PT e que não se arrependia do ato que havia praticado”.

“Esta Comissão, por dever de justiça, cumprindo a sua valorosa missão, houve por bem, para a glória da causa e justo reconhecimento ao seu proeminente assecla, o Juiz Theodomiro Romeiro dos Santos, premiá-lo com uma merecida indenização e uma pensão vitalícia”.

“Enfim, para o nosso orgulho e imensa satisfação, mais um ato de justiça foi lavrado por esta imparcial Comissão, que não é mais verdadeira por falta de espaço. Por isso, por necessidade de mais espaço, e para atravancar mais profundamente, é que será criada a Comissão da Verdade”.

“E quem quiser, e não estiver satisfeito, que vá reclamar ao bispo, ao Papa, ao Obama, ao...”. É, meus senhores, assim caminha a humanidade e o petismo-lulismo. Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

7 de outubro de 2011

Crise do modelo político

O artigo de José Viegas Filho, publicado na página 3 da Folha de São Paulo (A solução não será dada pelo mercado), embora abra com o correto diagnóstico de que a crise mundial é profunda e prolongada, revela que o autor está profundamente equivocado quanto a sua etiologia, desde o título. Comento o artigo para sublinhar que esse erro de diagnóstico do autor é espelho do erro de todo mundo ligado aos partidos de esquerda e à burocracia estatal. Dizer que a presente crise se dá por causa por falta de “mais” Estado – “mais” regulação – é um engano monumental, é a própria negação do real.

Escreveu José Viegas Filho: “Recordemos que toda essa situação foi produzida pela euforia das grandes corporações financeiras, que durou até 2008 e nos levou à crise, sem a "ajuda" de ninguém -nem comunistas, nem terroristas, nem anarquistas, nem operários rebeldes- e na vigência da mais ampla desregulação e livre-iniciativa”.

Toda a história do século XX foi a acumulação de interferência estatal não apenas na vida econômica, mas em todos os recantos da ação humana, uma hipertrofia de regulação que fez do Estado o ente transferidor de renda dos que trabalham para legiões de pessoas ou que não trabalham ou que enganam falsamente empregadas no setor público, onde mais das vezes a produtividade do trabalho é zero. O que podemos ver, especialmente depois dos espasmos provocados pela crise de 2008, é que a solução “mais” Estado não apenas é contraproducente, mas é inviável. A crise econômica é o espelho do esgotamento do modelo político social-democrata, hegemônico desde a Segunda Guerra Mundial.

José Viegas Filho aponta a livre iniciativa como causa da crise, uma delas, ao lado da regulação. Ora, quem salvou o mundo da miséria endêmica foi justamente a livre iniciativa, que inclusive permitiu que essa forma corrompida de poder, que se abriga no rótulo de social-democracia, tenha vindo ao mundo e persistido por décadas. A social-democracia parasitou os frutos do liberalismo. A presente crise é o esgotamento desse modelo político, que tem precisamente o dom de sufocar a livre iniciativa. José Viegas Filho escreve como se o Estado e sua burocracia fossem capazes de criar alguma coisa, agregar algum valor. Criam, isto sim, o reino dos monopólios e da injustiça distribuitiva, penalizando quem trabalha em favor dos parasitas de todos os matizes. O Estado social-democrata é o reino da distorção ética precisamente porque não respeita méritos.

Achar que a velha fórmula do pós-Guerra ainda é válida é um engano colossal. A crise veio para destruir o que está errado, para despertar a ira dos injustiçados. O mundo terá que voltar aos valores esquecidos em 1939. O Estado terá que ser reduzido, bem como a sua vasta burocracia. Os regulamentos terão que cair para dar lugar à liberdade e à livre iniciativa. De novo, o “deixa fazer, deixa passar”. Esta é a fórmula para a superação da crise atual, tão simples e tão eficiente como se mostra à primeira vista. A engenharia social que a social democracia se quer portadora está esgotada, todo o keynesianismo deverá ser abolido se as pessoas quiserem voltar à trilha da normalidade econômica e da prosperidade.

Em outros termos, o século XXI precisará descobrir as lições eternas do liberalismo econômico e da sabedoria política conservadora. O delírio do sonho impossível das esquerdas acabou. A realidade exige o seu lugar na ação dos governantes. A verdade é precisamente o oposto do título doa artigo: A solução será dada pelo mercado. Exclusivamente. Nivaldo Cordeiro

6 de outubro de 2011

FHC e a centro-direita

Fernando Henrique Cardoso rebateu a sugestão da pesquisadora norte-americana Frances Hagopian, para o PSDB se assumir como partido de centro-direita. A pesquisadora obviamente se pautou pelos resultados potenciais de uma postura dessas, um caminho mais curto para a Presidência da República. Mas FHC é o grande ideólogo e articulador da revolução gramsciana no Brasil, que impôs a lógica da "tesoura" pensada por Lênin, com o PT e o PSDB servido de lâminas a impedir a articulação da direita política. A proposta de Lênin é boa para o movimento revolucionário em geral, mas ruim para o PSDB. Este está fadado a perder as eleições presidenciais e corre o perigo de perder a hegemonia no Estado de São Paulo. O esquerdismo do PSDB é suicídio político, mas não será FHC quem vai reinventá-lo. Algo assim terá que esperar as novas gerais e aí talvez seja tarde demais. Nivaldo Cordeiro

Uma imaginária, mas possível competição

Na última década, tangidos tal qual gado pelos peões do petismo, já assistimos de tudo o que é possível no reino que chafurda na esbórnia.

Os três poderes que mandam e desmandam nessa insonsa nação, disputam uma primazia, nem sempre surda, pela autoria das maiores patifarias, dos mais soberbos golpes, das mais indigestas corrupções. É uma ferrenha liça que só chega ao conhecimento do populacho, quando extravasa na mídia investigativa.

Executivo, Legislativo e Judiciário promovem com esmero seus principais competidores, em geral os mais cretinos que assumem as rédeas de suas agremiações. O “lobismo” é a palavra de ordem.

Escorados em leis que os acobertam, difícil ou impossivelmente (se isto é possível) são atingidos por qualquer falcatrua (nem o raio que os parta os atinge) que cometam. Assim, impunes fazem gato e sapato do apalermado auditório, que assiste a tudo impassível no camarote dos deficientes mentais, conforme deliberaram os competidores ao longo de décadas. Na última década a competição atingiu o seu ápice.

Cada um dos poderes tem suas áreas cativas, pois de há muito concluíram que cada tem do bom e do melhor, portanto a competição não é por riqueza, mas por desempenho. Qual deles consegue sacanear mais a população sem qualquer arranhão? Ou com a menor mossa?

Nós que acompanhamos a cretinice praticada pelos contendores somos obrigados a admitir que a disputa é acirrada. Peluso, Sarney, “metamorfose”, e outros são insuperáveis, tanto que um passa o pé no outro e ocorrem os arrufos entre eles, mas logo, para tranqüilidade geral da nação, os ânimos se acalmam.

Eventualmente, os atritos ocorrem, mas são questiúnculas internas, acusações por inveja, por despeito e outras de somenos, mas nada que abale a estrutura construída na base do rabo preso, ou seja, nenhum fala do outro, pois poderá ser falado por outro e o outro por um, e assim por diante. Portanto, para que seja mantido o equilíbrio da canalhice, sempre existe um limite nas acusações.

Podemos perceber, pela união entre os embusteiros, que os corruptos são solidários, pelo menos nas vantagens.

Podemos perceber que quando um companheiro de algum dos poderes cai em desgraça, pois foi tão cara -de-pau que o seu furo foi intapável, e por isso ele é afastado da corriola, a sua despedida é a de um ente queridíssimo, de um luminar atingido pela falsidade dos inimigos dele, ou mesmo do poder, que ele tão dignamente representava ou compartilhava.

No Judiciário, se juiz, por exemplo, inimaginável pensar em afastá-lo sem uma polpuda aposentadoria.

No Legislativo, a desgraça do companheiro poderia ser sinalizada quando o indigitado cai sob o julgamento de sua Comissão de Ética. Ledo engano, pois a Comissão, que prima pela falta de, em geral, conclui que o julgado foi vítima de alguma armação.

Quanto ao Executivo, este está acima, pelo menos dos homens, como os homens fazem as leis, ele esta acima de ambos. Por isso, o Executivo pode emprestar, doar, perdoar dívidas de outros países, decretar áreas a seu bel prazer, para índios, quilombolas, pode nomear heróis, pagar indenizações para terroristas, liberar criminosos estrangeiros de mesma ideologia, contratar obras sem licitação que não sofrerão fiscalização, criar comissões, desmoralizar instituições, ... Enfim, pode tudo.

Não somos pessimistas, mas como butins na surreal disputa, alguns temem que nada sobrará na terra arrasada, que é o campo do indigesto confronto.

Até o presente, os analistas avaliam que o Executivo está com vários corpos na frente, pouco faltando para a desmoralização dos demais, quando será proclamada a sua vitória, e decretado o início da tirania institucionalizada.

Finalmente, se o “lobismo” é flagrante em cada uma das equipes, ele é visível, e atende ao conjunto, pois mesmo caindo em desgraça, chegando a ser afastado qualquer membro, a regra básica é a de que nenhum será condenado. Em hipótese alguma. Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

4 de outubro de 2011

Tristes cantigas de amor

Sinto no canto dos olhos uma lágrima teimosa que teima em sair, revelando assim minha emoção. Percebo que não sou tão forte quanto julgava e nem insensível quanto pensava.

E agora o que eu faço, comovido? Como lamento a distância de você. Perto, correria para seus braços em esfuziante e indisfarçável alegria em agradecimentos mil por alegrar meu dia

Hoje, o dia estava frio e chuvoso. Coincidência, enquanto escrevo o sol desponta vem compartilhar a minha emoção, aquecendo minha alma. Por fim, liberto a lágrima, para que vá, para que lave meu rosto, beije a minha pele murmurando uma prece de agradecimento, gravando nos sulcos do meu rosto o seu nome Sagrado, depositado no altar da esperança.

Profano, jogado aos leões da vida que nos desperta subitamente, fazendo-nos amar, desejar, querer eternizar os momentos bons, em contraponto aos ruins.

Não! Não! A vida não tem graça sem você, sem o seu carinho, sua atenção. Se um dia faltar, reclamarei com razão, pois deveras me conquistaste, derramaste minhas lágrimas, ferindo-me, vencendo minha armadura com suas palavras de carinho e amor.

Eu não sei fazer poesia. Vivo poesia presente em suas palavras a mim. Respiro a poesia na sua dedicação aos amigos. Ouço a poesia no silêncio sagrado, que respeitosamente escuta o meu coração nos sagrados oráculos da vida.

Da vida que desabrocha como flores no jardim, que perfumam, que inebriam meu olfato, que maravilham os meus olhos com múltiplas cores, que faz brotar a palavra Sagrada, que de tão Sagrada, meus lábios profanos relutam em pronunciar.

Chamo em auxílio o tempo para nas asas do vento murmurar e levar este nome até seus ouvidos num êxtase de paixão desmedida...

Pingo é letra

Para aqueles, impregnados da brasilidade preconizada e alardeada pelo petismo, que escutaram a palavras de chamamento da lídima representante da ingovernabilidade nacional, por manifesta tendência de nossa subserviência histórica, só nos resta liderar um movimento em prol do imposto para a saúde.

Ao declarar que a situação da saúde nacional é catastrófica e lembrar ao bando de irresponsáveis que somos nós, brasileirada em geral, que somos corresponsáveis pelo caos e a incompetência reinante, a sábia senhora falou pelas entrelinhas, e para o bom entendedor pingo é letra (ou meia palavra basta).

Foi mais ou menos na base, do “não pergunte o que a nação pode fazer por você, mas o que você pode...”, no caso, o que nós podemos fazer pela saúde.

E não venha os desiludidos perguntar por que não fazem isto ou aquilo, propondo soluções mirabolantes, como o retirar do ensino, das bolsas, dos transportes, ou de qualquer outro ministério; muito menos dos demais poderes que, literalmente, inclusive o executivo, com menos recursos seriam tolhidos nas suas valiosas e imprescindíveis ações.

Não importa, se você já é esmagado com tanto imposto, você já está acostumado a ser explorado, um pouco mais não vai tirar pedaço, e lembre-se do seu orgulho, da sua satisfação em saber que graças à sua pusilanimidade, você estará fazendo o bem para milhões de necessitados, tudo sem mexer nos recursos tão necessários para as outras áreas, inclusive as mordomias, que tornam tão eficientes os nossos poderes.

Alguns falam e mal da corrupção. Tolos, não fossem elas, quantas obras, quantos estádios não teriam sido construídos? Tudo para nosso gáudio, seu ingrato.

Portanto, nós acostumados ao estupro inevitável, neste manifesto de compreensão, declaramos que, diante da inexorável trolha, por convicção e certa aversão ao homofobismo, esta nojenta prática, de reagir e esbravejar injustamente, estamos dispostos a morrer de tanto gozo. Pois como já disse a outra dama, em caso de estrupo, “relaxa e goza”.

De fato, nas últimas décadas, foram tantas sacanagens que nós nem ligamos (mais?), que salvo melhor juízo, no geral somos um bando de prostitutos e prostitutas e aceitamos qualquer xaveco, isto, e o pior, ou o melhor, no conúbio com o desgoverno, somos sempre o passivo. Só levamos. Levamos e prestigiamos.

Vide a presidente, nada fez, e quando faxinou foi por absoluta falta de qualquer alternativa “acochambrativa”, pois os achincalhes expostos pela mídia investigativa e não subornada, de vários ministérios, foram tão escabrosos que nem a “metamorfose”, que nada via, que de nada sabia, quando do seu interesse, dificilmente, teria evitado a faxina, no entanto, seu descrente, dá uma olhada nos índices de aceitação da dama. São acachapantes.

Em suma, não dá para competir. Paga e não chia seu biltre. Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

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