22 de junho de 2011

Dom Paulo Evaristo Arns a serviço do governo mundial

O jornal O Estado de São Paulo trouxe matéria relatando o encontro do então Cardeal Paulo Evaristo Arns com o presidente Jimmy  Carter, em franca ação subversiva contra o governo constituído da época. Dom Paulo foi financiado e instruído pelo Conselho Mundial das Igrejas, órgão controlado por comunistas que buscam implantar o governo mundial e homogeneizar uma forma de religião, contra o catolicismo. Dom Paulo colocou-se também contra a própria fé e contra o papa. O Conselho Mundial das Igrejas financiou as ações, com muito dinheiro, quantia que ainda não foi devidamente avaliada. Um dos produtos financiados pelo Conselho Mundial das Igrejas foi o livro Brasil Nunca Mais, compêndio organizado pela diocese de Dom Arns e que serviu de largo instrumento de propaganda dos esquerdistas. Nivaldo Cordeiro

20 de junho de 2011

A maioria Congressual e suas incríveis deliberações

congressoÉ comum, ouvirmos a afirmação de que a maioria é silenciosa, e a minoria é barulhenta. Por isso (?), a minoria se dá bem. Em geral e, costumeiramente, é assim.

As vitoriosas minorias nacionais não nos deixam mentir. Um grupelho histérico, radical, mesmo embalado por idéias esdrúxulas, vai longe. No Brasil, não só vai como deita e rola em regras e cátedra. Na extrapolação dos direitos dos outros, as minorias vão surfando no politicamente correto.

Contudo, no Congresso Nacional, um covil de raposas felpudas, a constatação de que os parlamentares não representam nada, nem a ninguém, a não ser a si, aquela afirmação inicial leva uma terrível bordoada. Lá, a minoria entra pelo cano. Lá, a maioria canta de galo e... aprova.

Aprova as mais grossas sacanagens. Eles se aumentam se enchem de mordomias, acumulam benesses, abençoam seus pares mais safados, e o fazem sem qualquer resquício ou prurido, e de há muito deram um chute no vai ficar chato ou no vai pegar mal.

É o resultado da imponência do cargo e das bênçãos da impunidade que derivam da honra de representar energúmenos. É a cara-de–pau que acompanha os incomuns. Em geral, por troca das mais infames questões, subordinam-se ao Executivo, em prol das suas pretensões pessoais ou grupais.

No seu limitado horizonte, a perda da grandeza do poder que deveriam representar como um dos tripés da democracia, pouco significa diante dos seus ganhos.

Com justo orgulho, não lhes pesa nenhuma dúvida, nenhum questionamento, eles são cretinos profissionais, para o deles e o nosso orgulho, tanto que, apesar de tudo, vivem sendo reeleitos.

A maioria congressual é barulhenta e de inexorável determinação na obtenção de vantagens. Decidida a bandalheira pelos seus líderes a sua votação será uma questão de tempo. A palavra inconstitucional de há muito foi expurgada de seu dicionário, pois a questão pode atropelar a Carta Magna, que nada importa.

É o caso da proposta do governo de manter sob sigilo o orçamento de obras para a Copa do Mundo de 2014, a ser realizada no Brasil. A recente votação para que aquelas contas não sofram qualquer reparo ou fiscalização, conforme a orgia de esbanjamento preconizada e de interesse do Executivo sublinha como a maioria barulhenta e atuante alcança seus objetivos.

Falta o Senado, onde a nova musa das relações governamentais, a Idelli transita como numa passarela, rebolando inzoneira, e será o aval para a aprovação final da indecorosa proposta.

Em suma, a cada inconseqüência deliberada, é como permitir que um bando de lobos entre no galinheiro. Pelo jeito, vai sobrar pedaço de galinha para todo o mundo, o deles. Para nós, as penas e os impostos. Mas não adianta reclamar, foi tudo votado, democraticamente.

Aguardam na fila um sem número de propostas: a da Comissão da Verdade; a do Referendo do Desarmamento; a da obrigatoriedade de três horas de programação nacional nos canais pagos; a da divisão de Estados; a proibição do Ministério Público investigar atos de corrupção de Presidente da República, Governadores de Estados, Senadores, Deputados Federais, Deputados Estaduais e Prefeitos, que foi já aprovada em primeiro turno no Congresso, etc.

Adivinha se serão aprovadas. Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

80 anos de FHC

FHC Tenho que escrever algumas palavras sobre a passagem do natalício de Fernando Henrique Cardoso, data que até rachou o elo entre Lula e seu poste, Dilma. Esta ousou homenagear o aniversariante. Mas Lula tem o motivo mais pragmático para espinafrar seu antecessor: continua sendo FHC a única personalidade capaz de enfrentá-lo nas urnas e vencê-lo. FHC é antípoda de Lula: não é populista, é poliglota (Lula semiglota), tem a estima da elite (Lula a suspeição, apesar de a elite fazer negócios alegremente com os petralhas). Dilma ainda não se achou na Presidência e não descobriu como se relacionar com os três pedestais do seu poder: seu padrinho Lula, seu partido, o PT, e seu aliado ocasional, o PMDB, daí as crises recorrentes. Mas ambos, Lula e FHC, concordam no estratégico: estão a serviço do governo mundial.

Mas voltemos ao ponto principal. Resolvi comentar a efeméride inspirado no artigo de Celso Lafer (FHC AOS 80), texto notavelmente laudatório, até mesmo hiperbólico e, por isso, além da realidade. Julgo necessário fazer um balanço mais realista da biografia do ex-presidente.

FHC, ao fundar o CEBRAP nos idos de 1969, introduziu no Brasil a agenda globalista e impulsionou enormemente a agenda da revolução gramsciana já então em curso. O CEBRAP tornou-se um think tanker que formou gerações de intelectuais militantes, cujo sucesso histórico é indiscutível e a maior prova é a sua própria chegada ao poder, secundado por Lula. Sim, FHC é portador de agudo intelecto, mas colocou seus talentos contra o Brasil e a favor do governo mundial, contra os valores tradicionais e favor da deletéria agenda globalista. Não ao acaso o octogenário FHC é agora publicamente um defensor da liberação do consumo das drogas, com ênfase na maconha, de que foi apontado usuário pelo saudoso Jânio Quadros.

O sucesso na estabilização da moeda é menos seu sucesso pessoal do que o da brilhante equipe de economistas que formou e em quem acreditou. Seu sucesso com o Plano Real foi, por assim dizer, passivo. Louvo mais pessoas como Gustavo Franco, Edmar Bacha e seus colegas do que o príncipe Fernandão.

Toda obra de FHC é um reescrever contínuo da pregação igualitarista inspirada em Rousseau, essa mentira filosófica e teológica que serviu de mantra para a chegada das esquerdas ao poder. Quando nos damos conta de que o igualitarismo rousseauniano é empulhação é que vemos o tamanho do veneno contido em toda obra fernandista. E, tenho certeza, FHC sabe-se um empulhador. Confessou-o. Suas declarações ao chegar ao poder (“Esqueçam o que escrevi”) mostram perfeitamente a sua clareza intelectual. Da sua empulhação igualitarista FHC sempre soube ser mero engodo eleitoral e palavra de ordem para a mobilização dos intelectuais orgânicos formados por ele mesmo e sua instituição, o CEBRAP. Aqui se revela o elemento estóico de sua própria filosofia, que fica oculta ao observador desavisado.

FHC é a personalidade mais importante do Brasil na segunda metade do século XX, não pelo bem que fez, mas pelo mal que praticou. Ele cometeu o terrível erro de avaliação de todos os que abraçaram a social-democracia, de achar que chegam ao poder, cavalgando na mentira igualitarista, e nele conseguirão manter-se. Ora, eles sempre serviram e servirão de abre-alas da revolução. Nas suas pegadas sempre virão os “verdadeiros” socialistas. O mal legado por FHC talvez exija dos brasileiros um preço como os alemães pagaram para se livrar de Hitler e do nazismo.

A coisa é tão dantesca que um intelecto superior como Celso Lafer é, ele próprio, um enganado, um defensor da falsa tese dos direitos humanos, essa baboseira derivada do jusnaturalismo e agora empolgada pelos revolucionários globalistas encastelados na ONU. É claro que Celso Lafer não está disposto a fazer o gesto de FHC e repetir o “esqueçam o que escrevi”. Repudiaria toda a existência intelectual e política. Confessaria um grandioso fracasso existencial.

Enfim, os 80 anos de FHC servem para a gente se lembrar de quem é a autoria da tragédia brasileira, da qual estamos a viver apenas a alvorada. Tempos de grandes perigos. Nivaldo Cordeiro

16 de junho de 2011

Casa Civil e o DNA nacional

gleise hoffman O affaire Batistti foi o réquiem para o STF, que de há muito vinha bambeando as pernas e, subordinando–se, totalmente ao imperial executivo. Aquela subordinação pode ser uma decorrência de pelo menos três hipóteses:

- a submissão de muitos de seus togados ao poderoso executivo por terem assumido o vistoso cargo por indicação daquele;

- por declarada falta de compreensão de que representam um dos três Poderes da República, alicerces dos princípios democráticos, e canhestramente, abrem mão da altivez e da grandeza que simbolizam, para subordinar-se aos ditames de outro poder;

- finalmente, por convicção ideológica. Neste caso, apesar de terem votado pela manutenção da Lei da Anistia, o fizeram a contra-gosto; pois não extraditando o Batistti, optaram pelo caminho da decisão ideológica. Ou seja, pelo STF, o Batistti foi anistiado.

É gritante a constatação de que o Poder Executivo é o lúgubre Senhor dos Anéis, que manda e desmanda, que trapaceia e embroma, e que o Poder Legislativo é a sua massa de manobra; sobraria incólume o Poder Judiciário, que lamentavelmente, a cada decisão suprema transpira o fétido odor de total submissão ao Executivo.

Diante de atos e fatos tão explícitos, quando é patente que os nossos doutos cidadãos, sejam do judiciário ou não, endossam que a anistia é válida somente para os terroristas como o Batistti, é licito supor-se que a benfazeja Comissão da Verdade, nascerá impregnada e orientada segundo esta convicção, e sacramentará tudo o que os lamuriosos e indenizados terroristas nacionais alegarem.

A parcialidade dos propósitos da Comissão inicia-se a partir das premissas para a sua composição, buscar a verdade numa das partes, a que primava suas ações pela quebra da lei e da ordem.

Seria cômico se não fosse verdade. O desgoverno monta um palco para buscar a verdade, e propõe-se a vasculhar a indigesta verdade, nas declarações daqueles que eram os criminosos. A situação é tragicômica, inverossímil, entretanto, ante os acontecimentos que pululam o entorno do desgoverno, tudo é possível.

Se na casa Civil, onde transita a mais pura essência da excelência nacional (?), onde indivíduos escolhidos a dedo comandam, apontam, confabulam e decidem os destinos nacionais, é esta Casa, na verdade, um reluzente valhacouto e covil de corruptos.

Cumpre indagar, o retrato do Brasil é a Casa Civil da Presidência da República? Pode não ser, mas o seu DNA é comprometedor. Hoje, basta a retirada de uma gota do lamacento sangue da Casa Civil, para sabermos qual é o DNA do desgoverno petista.

Se, pela “amostra” do DNA o resultado é tenebroso, o restante é de causar justificado pavor. Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

STF liberou a propaganda da maconha

O Supremo Tribunal Federal - STF aprovou, por unanimidade, as chamadas Marchas da Maconha. O que são esses eventos? São ações de propaganda dos traficantes e usuários de drogas. Com a liberação os traficantes, todos eles a serviço, direta ou indiretamente, das FARC, estão agora com habeas corpus preventivo para sua ação deletéria. O STF tornou-se, de instância guardiã da ordem, e outra, reformadora revolucionária das instituições. A deformação de nosso sistema jurídico caminha a passos largos no rumo do caos. Nivaldo Cordeiro

14 de junho de 2011

O retrato de Dorian Gray: Um Governo Federal sem alma, sem identidade

dorian gray dilma Com que identidade Dilma se afirmou como ministra? A resposta seria: austera, competente, e por aí vai. Essa mesma imagem Lula difundiu em toda a longa pré-campanha presidencial. E os programas eleitorais na TV serviram para afirmar. Sua assessoria de comunicação, desde o primeiro dia de governo, batia nessa tecla: Dilma trabalhando no gabinete, Dilma exonerando, Dilma não aceitando nomeações da base aliada, etc. e tal.


Este Ex-Blog, semanas atrás, lembrava que os 20% da oposição parlamentar eram desvio de ótica. A vontade de manter o poder central levou Lula e o PT a fazerem todo tipo de articulação. O resultado é que a enorme base aliada, de 80%, só serve para votar as rotinas e discutir cargos. Numa votação não terminativa, pois ainda deveria ir ao senado, o governo Dilma testou sua força e sua verticalidade e ficou nos 35%, que é o seu tamanho parlamentar para votar qualquer matéria que exija mudanças substantivas.


Em seguida, quis mostrar força votando, com tranquilidade, a MP 517. Mas, no bojo da mesma, veio uma emenda, acatada pelo PT e pela base aliada, com doação de 23 bilhões de reais a banqueiros privados, muito mais que a tal anistia a desmatadores-predadores.

Veio o escandaloso caso Palocci e foram 24 dias de calvário, tentando justificar o injustificável e, com final de ópera bufa, com a presidente com os olhos marejados agradecendo a seu ministro, bem..., pela desestabilização precoce.

Em cinco meses, a imagem divulgada de Dilma se desmanchou. Não se vê autoridade, nem competência: o retrato envelheceu, governo envelheceu, o governo perdeu sua alma, sua identidade. A saída foi a mais primária possível, coisa de marqueteiro de quinta categoria. Na falta de identidade, decidiu-se reforçar a condição de mulher, com duas nomeações femininas. Afinal, metade dos eleitores são mulheres.

Decisão que nada tem que ver, como se noticiou, com a marca de austeridade de ambas as ministras, para reforçar a imagem inicial de Dilma. Seria o próprio reconhecimento que a imagem de autoridade e de competência de Dilma precisa de uma plástica. O que se busca com as nomeações é simplesmente apelar para a condição de mulher. Pode até dar certo, por solidariedade de gênero. Mas do ponto de vista político, é simplesmente apostar num governo sem identidade funcional e sem identidade política. Ex-blog César Maia

13 de junho de 2011

Goethe e o andrógino

goethe androgino É essencial compreender o simbolismo do andrógino na obra FAUSTO, de Goethe, para captar o simbolismo do poema. Vimos em artigos anteriores que o livro é um épico que cantou o mal em toda sua extensão, daí porque é o cântico de louvor por excelência da modernidade. A honestidade intelectual de Goethe se agiganta e ele nada oculta de suas intenções, até porque ele fazia a crônica dos tempos. O cântico ao mal é sobretudo o cântico ao seu símbolo maior, o microcosmo (Fausto, o personagem, recebe a alcunha de Dom Microcosmo, enquanto Mefistófeles a de Dom Satã).

A representação do microcosmo é o pentragrama, cuja imagem se tornou o estandarte da modernidade e, desde o século XVIII, se espalhou e ocupou lugar de destaque em toda parte. O comunismo tem no pentagrama seu signo indissociável. Nós próprios vimos acontecer no Brasil essa troca dos símbolos sagrados pelo do Inimigo na Proclamação República. O Escudo Imperial, que tinha na cruz a sua marca, foi substituído pelo Escudo da República. O microcosmo irradiando sua marca a partir do símbolo máximo do Estado que então se formou no pentagrama que ocupa toda sua área. No momento o partido governante tem também no microcosmo o signo de sua presença no poder.

Na expressão épica da poesia de Goethe vemos que essa tentativa de tornar o homem (e o diabo) o centro da criação, no lugar de Deus, está associada à simbólica alquímica do solve et coagula (dissolve e combine), o Rebis que se expressa na união entre o Rei e a Rainha. O solve exprime é a própria rebelião contra a Criação (a negação) e ocoagula a arrogância perfectbilista do homem no lugar de Deus. Note-se que aqui não se trata da união entre dois seres de sexos oposto, separados pela vontade de Deus, mas a do suposto princípio masculino e feminino que se encontra em cada indivíduo. É uma espécie de casamento interior, que se expressa também num ato físico masturbatório, que o personagem Fausto pratica em vários momentos durante a narração do poema, particularmente importante quando ele desce ao Reino das Mães e tem nas mãos a própria chave lhe dada por Mefistófeles, que afinal é seu próprio falo, sua própria potência vital. É daí que nascerá a figura feminina de Helena, personagem central do drama fáustico.

Assim, ao ascético cristianismo, que procura respeitar e contemplar a Criação e ter por orientação os ensinamentos sagrados contidos nas Escrituras, com sua moral estrita e conduta sexual que supõe o homem e a mulher criados por Deus enquanto opostos complementares, os modernos irão construir uma cosmologia e uma moral oposta, produto na negação, e dentro desse processo a androginia – e a sua expressão prática, o homossexualismo militante – será a sua manifestação mais aguda. E não se diga que isso é de hoje. No século XX vimos chegar o seu auge. A figura emblemática de Thomas Mann (e sua obra), que imita e tem em Goethe o guia artístico e espiritual, descreve como isso aconteceu na máxima dimensão. A tragédia pessoal de Mann é a do homem fáustico e o homossexualismo está presente na sua vida como libido dominante, na temática da sua obra e também na vida dos seus filhos. A tragédia pessoal de Thomas Mann e da Alemanha se confundem, que é a tragédia predita na obra de Goethe (esse é um assunto, vida e obra de Thomas Mann, que no momento estudo com afinco e, no momento oportuno, irei abordá-lo com mais detalhes. A obra e a vida do homem de Lubbeck como espelho e crônica da tragédia do século XX).

A ânsia alquímica de aperfeiçoar a natureza, a própria Criação, é o escudo da entidade que preside os cultos satânicos das sociedades secretas, Baphomet. Seu lema – solve etcoagula – é essa manifestação da vontade demoníaca de perfetctibilismo, dando materialização simbólica. Negar tudo que vem de Deus para recriar: a construção da Segunda Realidade é vislumbrada por Cervantes no magnífico Dom Quixote. Esta obra só foi lida por Thomas Mann quando já estava no exílio, a bordo do navio que o levaria à América pela primeira vez, aos 59 anos. Naquele instante o curso da obra do autor foi modificado e vieram então suas criações máximas, o DOUTOR FAUSTO e o notável O ELEITO.

[Há um elo entre a figura de Baphomet e o islã. A própria palavra teria sido uma corruptela de Maomé. Veja-se que o microcosmo é uma estilização do Crescente, expresso na forma minimalista da estrela cadente, a Vênus. Não podemos perder de vista que o islamismo é uma seita gnóstica cristã, nascida para negar a ortodoxia. Isso também foi percebido por Cervantes, cuja obra é a denúncia do domínio do islamismo sobre o território cristão, inclusive e sobretudo na dimensão do poder de Estado. O Estado moderno nasceu modelado pelo Estado islâmico, que é deificado como a própria manifestação sagrada, fazendo dele um substituto de Deus. Cervantes foi profético… É de se notar que a contribuição à ocidentalização do islamismo se dá na transferência da lei do Corão para a constituição nascida da vontade de Dom Microcosmo, o próprio homem moderno. A lei positiva passará então é ter a força da lei natural, em oposição ao Direito Romano fundado em Aristóteles que vigia até então.]

Em artigo anterior Os Filhos de Fausto procurei mostrar que há um elo entre os três nascimentos narrados no poema: o filho humano de Fausto com Gretchen assassinado pela própria mãe, o filho da filosofia alquímica, traduzido magistralmente no personagem Homúnculo, que sucumbe por não ter como sobreviver no universo manifesto, e o filho de Helena e Fausto, um ser inflado que se confunde com Eros e com Mercúrio, o próprio Baphomet. Ele tem a psicologia do próprio Hitler avant lalettre, o ego inflado e desprovido de condições de sobrevivência. Ele se precipita de sua altura alucinada, do seu “sonho impossível” (como não evocar Cervantes?) de grandeza, que é de crueldade, de maldade, de tudo que não presta. Ao morrer deixa de herança a Fausto sua pele de serpente, que eram sua vestes. Esta identificação com o mal é um dos momentos mais criativos da peça. “Esses gracejos muito sérios”, como ao Fausto se referiu Goethe, não deixaram nada de fora da dimensão trágica dos tempos modernos.

Sublinho aqui como se deu o nascimento Eufórion. O intercurso entre Fausto e Helena ocorre na “Gruta”, em oposição à concepção do filho natural de Fausto, precedido de seu delírio amoroso na “Floresta e Gruta”. O segundo símbolo é uma expressão para se referir à genitália feminina. O primeiro é claramente uma referência ao coito anal. Afinal, Helena e Mefistófeles são um único e mesmo ser e no momento do intercurso Mefisto estava fantasiado de Fórquia, o horrendo ser hermafrodita. Goethe nos conta de maneira assaz realista que Eufórion é concepção alquímica de Fausto em coito homossexual, possuído pelo próprio diabo. É esse o filho da modernidade, é a própria modernidade. Por isso que a agenda da causa gay é a decorrência natural dos tempos modernos e o renascer fortalecido das idéias dos albingenses, destacas na obra de Hilaire Belloc resenhada por mim (AS GRANDES HERESIAS). Recupero aqui a citação que sublinhei na resenha, referindo-se ao albingenses:

“Todos os sacramentos foram abandonados. Em seu lugar, um estranho ritual foi adotado, que envolvia a adoração do fogo, chamado ‘a consolação’, por meio do qual acreditava-se que a alma era purificada. A propagação da espécie humana foi atacada; o casamento era condenado e os líderes da seita espalhavam todo tipo de extravagâncias que se podem encontrar pairando sobre o maniqueísmo e o puritanismo, onde quer que apareçam.  O vinho é mal, a carne é má, a guerra era sempre absolutamente má, e assim também a pena capital; mas um pecado sem perdão era a reconciliação com a Igreja Católica”.

Hoje em dia essa agenda integral está na ordem do dia. A procriação humana é tida como indesejável, como ecologicamente incorreta, como empobrecedora (reduz a renda per capta), como a fonte do mal. Daí provêm políticas como a do aborto, do gaysismo, do ambientalismo e toda militância contra as coisas sagradas. Era assim no início do século XX, como registrado por Thomas Mann, e deu no que deu. O que nos espera agora, no momento em que a mesma agenda está na ordem do dia? Vivemos tempos de grandes perigos. Nivaldo Cordeiro

8 de junho de 2011

E o Palocci foi–se

palocci e francenildo Existem hoje duas grandes divisões nas hostes do petismo. Os dentro e os fora. Os dentro se lambuzam nas tetas do Estado. Aprontam, na moita ou descaradamente, mas pelos bons ofícios de uma mídia omissa, quando lhe convém, nem pia, quando desvenda alguma patifaria de um fora de série (de dentro).

Os de fora, ficam leves e soltos, no partidão ou nas suas proximidades, pois os laços entre cumpanheiros são eternos. Até que a execração pública os condene. Como a opinião pública nem fede nem cheira, só vota, a união será inseparável. Palocci agora é mais um de fora…

Apesar das omissões gerais de todos, quanto aos deslizes anteriores do fenômeno financeiro, o crucial é que o affaire do Francenildo, por mais estapafúrdio que tenha sido, causou vivo mal-estar na dita opinião pública.

Ao enricar em curto prazo, sem explicações convincentes, e sem a aura de impunidade que circunda o cocuruto do divino mestre, o Palocci, sambou direitinho. Indiretamente, ao esquivar–se, atabalhoadamente da trolha, Palocci, desagradou aos gregos e aos troianos.

De um lado, embananou a Presidenta (?), que enlaçada nos desígnios do loquaz palestrante, e sabedora de suas preferências por acobertar crápulas, titubeava em apontar o caminho da rua para o seu pródigo assessor e, provavelmente, uma das maiores fontes de recursos, de toda ordem (lícitos e ilícitos) para a sua dispendiosa campanha.

Desgastou ao divino mestre, seu mentor no destacado cargo, por aumentar seu patrimônio, desavergonhadamente, sem possuir as artimanhas que poderiam comprovar os seus ilícitos ganhos, isto, apesar da deplorável decisão do Procurador–Geral (Engavetador–Geral da União) que não encontrou indícios de qualquer desonestidade nos seus espantosos lucros.

Diante de tantos senões, o Palocci foi-se. Vai arrebanhar milhões de reais, agora livre de quaisquer freios e empecilhos. Vai, e una–se ao Dirceu, ele sabe como dar a volta por cima, pelos lados e por baixo.

Você poderá não ser o papagaio de pirata que sempre foi, mas estará por detrás do pirata, sussurrando, dando dicas, obedecendo na moita aos seus interesses e do partido, entrando no palácio na calada da noite para receber tétricas ordens e horripilantes orientações, tudo em surdina.

Você tem a força, o conhecimento e o descaramento para continuar prestando valiosos serviços em prol da comunidade petista. A você, auguramos toda a riqueza que um patife pode amealhar neste Brasil varonil.

Você e nós merecemos. Vai... mas não volta. Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Gleise Hoffman na Casa Civil

A nomeação da senadora Gleisi Hoffmann para a chefia da Casa Civil da Presidência da República foi uma escolha acertada da presidente Dilma Rousseff. O Brasil vive um sistema político próximo do parlamentarismo e os principais ministros precisam ser oriundos das Casas do Congresso Nacional. Foi-se o tempo da existência de ministérios puramente tecnocráticos. Bom que se  note que a nova ministra tem perfil técnico, o que ajudará no seu desempenho. Nivaldo Cordeiro

7 de junho de 2011

O superfaturamento de Palocci

Fernando de Barros e Silva na sua coluna de hoje na Folha de São Paulo informa que, dos R$ 20 milhões faturados em 2010 pela Projeto, empresa de Antonio Palocci, metade ocorreu nos últimos dois meses, depois que Dilma Rousseff já havia sido eleita e o Palocci era o homem forte da equipe de transição. Temos que lembrar aqui que Palocci nada mais tem a vender do que as próprias opiniões, porque não domina a ciência econômica e não tem treino em Finanças. Sua empresa não tem empregados e nunca sub-contratou quem é do ramo. Logo, devemos concluir que Palocci tem o achismo mais caro do planeta, provavelmente porque não é achismo, é a antecipação da informação sobre decisões tomadas. Em poucas palavras, tráfico de influência e comércio de informações privilegiadas. Imoral e provavelmente criminoso, se os procuradores da República quiserem fazer cumprir a lei acharão como fazê-lo. Nivaldo Cordeiro

6 de junho de 2011

Goethe e o Estado

goethe e o estado Quem tem acompanhado as minhas notas sobre o FAUSTO, de Goethe, sabe que vejo na obra do grande poeta alemão um compêndio filosófico e, enquanto tal, ele contém também uma filosofia política. Goethe, ainda que moderno, foi suficientemente inteligente para não sacralizar o Estado. Antes, Goethe o vê como mero instrumento de ordem, administrado por pessoas crédulas e frívolas. O Estado moderno perdeu a conexão que tinham os antigos governantes com as virtudes. Os “novos príncipes” relatados no poema limitam-se aos aspectos superficiais e asquerosos do poder. Os cortesãos são apenas parasitas. O carnaval é a sua grande festa, o que denota sua retrogradação aos tempos pré-cristãos.

O Imperador feito personagem, de tão crédulo e tolo, é vítima dos logros quase infantis que lhe aplica Mefistófeles. Um deles, o truque da emissão da moeda sem lastro, foi profético, como tudo no poema: anteviu o século XX e a emergência de economistas mefistofélicos, como Keynes e Milton Friedman, verdadeiros sacerdotes da emissão de moeda sem lastro. Devemos ter em conta que até a II Guerra ainda vigorava o padrão-ouro e que o Acordo de Bretton Woods, que determinou o sistema monetário internacional do Pós-guerra, ainda se referia ao ouro monetário como âncora do dólar. Foi Richard Nixon quem rompeu a conversibilidade do dólar, em 1971. Não faz muito tempo. Deu-se o triunfo final de Mefisto na condução da moeda.

O ouro como moeda é o elo que une o processo produtivo com a economia dita “real”. A magia da emissão de moeda sem lastro tornará o Estado monstruosa máquina de intervenção econômica. Note-se que núcleos de pesquisas universitárias inteiros estão dedicados a estudar e a prover políticas públicas “respeitáveis” a partir da hipótese mefistofélica de que emissão de moeda sem lastro é a normalidade. Assim, o Estado moderno tornou-se o novo Baal, o Mamon bíblico. O gigantismo estatal que se nota em toda parte hoje em dia deriva diretamente desse truque. Sem moeda estatal não há como alguém se integrar no sistema econômico. Todos agora dependem diretamente do Estado para a sobrevivência. O sistema de emissão de moeda sem lastro é a grande fonte de corrupção dos governantes modernos.

A coisa evoluiu de forma tão fulminante que no espaço de poucas gerações esqueceu-se qual é a verdadeira normalidade e que essa magia do Estado traz embutida em si os perigos de crises catastróficas. A de 1930 já havia derivado da magia mefistofélica. Como remédio surgiram as receitas falsas de Keynes e Friedman e sua laia. São os patronos dos moedeiros falsos. A crise que vivemos desde 2008 (para não falar daquelas da segunda metade do século XX) é produto direto dessa loucura diabólica na condução do Estado.

Outro ponto que se nota é que o marxismo é também produto do delírio mefistofélico contido no poema. Marx sabia o FAUSTO de cor. Fez citações longas dele nos Manuscritos Econômico-filosóficos. E o que é o marxismo? A elevação do Estado à condição do salvador do homem, aquele que traz a igualdade e a riqueza abundante; aquele que suprime as crises e que garante a felicidade ainda nesse mundo [Nossa Constituição garante que a Saúde é um dever do Estado, estrondoso ridículo delirante dos seguidores de Mefistófeles]. Os seguidores de Marx, nos diferentes graus, acreditam piamente nisso. Praticamente todos os governos hoje em dia se comportam e agem como se fossem responsáveis pela felicidade geral e pela prosperidade econômica, a grande ilusão mefistofélica que foi adotada desde o Iluminismo.

O Estado não passa de violência organizada. Com essas ilusões o potencial de violência contra as pessoas cresceu enormemente. Tanto que as guerras tornaram-se instrumento de matanças colossais, sem iguais na história. Uma das maiores alavancas dessa violência institucional do poder de Estado, capaz de esmagar os indivíduos, é precisamente a miragem criada pela emissão de moeda sem lastro e o ímpeto salvíficodado a si mesmo pelo Estado. Tem-se o propósito de tornar perfeitos os homens, a natureza, o clima, o mundo. Essa loucura está em marcha e pode ser lida nas manchetes do dia de todos os jornais. Leis são fabricadas aos montes no suposto de que a mão estatal pode perfectibilizar tudo.

A profecia de Goethe em sua obra maior cumpriu-se à risca. Mefistófeles criou uma Segunda Realidade na qual a humanidade mergulhou. A Primeira Realidade, o real, é Deus e suas ordenações, que foram abandonados. A Segunda é essa loucura que acaba sempre em tragédia, com crises alucinantes, guerras genocidas, desespero e luta fratricida e incessante pelo poder de Estado. O estado de guerra civil parecer ser agora o tempo normal. A armadilha foi tão perfeita que não vislumbro meios de se escapar dessa Segunda Realidade. A única maneira de se manter a sanidade e viver o real é dentro de si mesmo, restabelecendo a relação com Deus e a tradição. Para isso o esforço não é pequeno e é tarefa para muito poucos. Uma minoria seleta é que pode escapar do canto de sereia de Mefisto e seus áulicos. Voltamos aos tempos das catacumbas para fugir dos Neros de hoje. Temos que nos isolar dentro de nós mesmos para não sermos dissolvidos na loucura coletiva e armada, que a tudo destrói. Nivaldo Cordeiro

O nefasto efeito Palocci

Editorial do Estadão

antonio palocci

Só há uma maneira de colocar um ponto final na crise política provocada pela revelação do prodigioso enriquecimento de Antonio Palocci antes de se tornar o principal ministro da presidente Dilma Rousseff: seu afastamento da chefia da Casa Civil. A exoneração tornou-se iminente a partir do instante em que Palocci desperdiçou a última oportunidade de colocar a situação em pratos limpos, ao não apresentar em sua defesa nenhuma informação nova e relevante nas entrevistas seletivas e tardiamente concedidas na sexta-feira à Rede Globo e à Folha de S.Paulo.

O ministro se limitou a protestar inocência diante das suspeitas de tráfico de influência, negando-se a fornecer qualquer informação ou esclarecimento sobre seus clientes ou sobre a natureza dos serviços a eles prestados. Não fez mais do que deixar no ar um apelo que, nas circunstâncias, soou patético: acreditem em mim.

Os dois argumentos principais apresentados por Palocci em sua defesa são, primeiro, o de que não ficou comprovada nenhuma “ilegalidade” nos fatos que lhe são imputados e o ônus da prova cabe a quem acusa - o que seria correto se a questão fosse apenas jurídica - e, depois, o de que está eticamente impedido de divulgar os nomes de seus clientes porque não pode “expor terceiros nesse conflito”. As duas alegações são insubsistentes.

A primeira porque o escândalo assumiu proporções tão graves que, até pela necessidade de dissipar a crise política criada dentro do governo, já havia algum tempo se impunha, para além de qualquer consideração jurídica, a necessidade de que explicações cabais fossem dadas à opinião pública. Era mais do que hora, portanto, de Palocci provar a improcedência das suspeitas que sobre ele pesam. Na mesma linha de raciocínio, o impedimento ético para nomear as empresas às quais prestou serviços se anula diante da maior relevância da exigência de atender ao clamor público por transparência no comportamento de uma figura proeminente do governo.

Mas Palocci frustrou com suas negaças as expectativas de que lançaria alguma luz sobre mais esse escândalo em que se vê envolvido. Tendo comprovadamente mentido uma vez no episódio que provocou sua saída do Ministério da Fazenda, em março de 2006 - sem falar nos nebulosos episódios que marcaram suas duas gestões à frente da Prefeitura de Ribeirão Preto -, é demais esperar que ele possa contar agora com a indulgência de quem quer que acredite que o exercício de funções públicas exige compromisso com a probidade. Chegou, portanto, ao fim da linha em mais esta passagem, desta vez muito breve, pelos altos escalões da República.

Sendo a substituição do titular da Casa Civil um fato que só não se consumará por conta de alguma enorme improbabilidade - por exemplo, Dilma Rousseff assumir, diante do desgaste seu e do governo, um risco que nem mesmo Lula se dispôs a encarar em 2006 -, resta tentar compreender o que esse episódio, qualquer que seja seu desfecho, sinaliza para o futuro político e administrativo do País a curto e médio prazos. Se os contratempos que enfrentou nesses primeiro cinco meses de governo, tais como as dificuldades para preencher os cargos de segundo e terceiro escalões, refletem a preocupação da presidente de impor critérios mais técnicos e menos fisiológicos na maneira de conduzir o governo, o novo escândalo Palocci provavelmente a fará, se já não o fez, se dar conta de que, daqui para a frente, dificilmente se livrará da condição de refém da maneira lulopetista de governar e de sua regra de ouro: pela “governabilidade” paga-se qualquer preço.

Boa parte dos petistas reza por essa cartilha há muito tempo. O mensalão foi apenas o começo. Agora, foram os primeiros a lavar as mãos e até mesmo pedir a saída de Palocci aqueles que perceberam que podiam tirar vantagem disso. E o PMDB de Sarney e companhia, que nunca iludiu ninguém sobre os motivos de sua aliança com Lula, dando um exemplo que foi imediatamente seguido por outras legendas da base aliada, não teve o menor constrangimento de chantagear o Palácio do Planalto em troca de suposto apoio ao fragilizado primeiro-ministro.

É o País que retrocede politicamente, não pela demissão de um ministro, mas por tudo que esse lamentável episódio coloca a nu.

3 de junho de 2011

O Coronel e o guerrilheiro

A entrevista de Persio Arida à revista Piauí está rendendo debate nacional, sobretudo depois que o Coronel Brilhante Ustra desmentiu parte do seu relato em artigo publicado na Folha de São Paulo, na semana passada. Hoje o artigo do Coronel teve réplica no mesmo espaço. Entre a palavra de um guerrilheiro e a de um oficial graduado oriundo da AMAN ficou com a do segundo. Tive a honra de conhecer pessoalmente o Coronel Ustra e sua esposa, pessoas de bem. Amigos fardados me deram farto testemunho de sua integridade moral. Já a história de Pérsio Arida é, no mínimo, imoral. Os guerrilheiros matavam civis inocentes, os militares perseguiam os assassinos, que eram também ladrões, salteadores, sequestradores, bandoleiros e traidores da Pátria. Nivaldo Cordeiro

1 de junho de 2011

O final do Fausto, de Goethe

fausto, o final “Compreender o destino é ter alcançado o mais alto grau da sabedoria” Giordano Bruno

A obra de Goethe, FAUSTO, deveria ser concluída com o passamento do seu personagem, quando finalmente seu trato é concluído ao recitar o máximo instante de felicidade proporcionada a si pelos poderes de Mefistófeles: “Sim, ao Momento então diria:/Oh! Pára enfim – és tão formoso!” Trato feito, trato cumprido? Nada disso. Goethe floreia o seu final, que se alonga além do necessário à primeira vista, para expor sua cosmologia.

Antes convém lembrar a enigmática frase de Fausto, à hora da morte: “À liberdade e à vida só faz juz,/Quem tem que conquistá-las diariamente.” Justo ele que, desde seu encontro com Mefistófeles, abandonou qualquer trabalho e qualquer esforço pela existência. Perdera a liberdade? Entrar no transe da morte é tornar-se escravo? Será a simples existência precisamente o que nos torna livres, qualquer que seja a forma de vida trilhada? Penso que sem olharmos qual o fundo filosófico do autor essa frase, e mesmo o conjunto da obra, perde significado. Sua filosofia natural, derivada de três ramos bem distintos, é a chave de tudo.

A mais antiga influência filosófica sobre Goethe é o neoplatonismo, sob as formas compreendidas no Renascimento. Seu grande mestre foi Giordano Bruno. É daí que vai brotar o final, o Eterno-Feminino que salvará e elevará a alma de Fausto. A emergência de figuras femininas salvíficas é expressão acabada dessa crença neoplatônica. Relembremos que tanto Fausto como Gretchen cometem os mais hediondos crimes e pecados. Ela mata a própria mãe, o filho, concorre para o fim trágico do irmão, tudo por amor a Fausto. Ele, da mesma forma, e também como membro participante do culto a Dom Satã. Não há nenhum traço de piedade e arrependimento em Fausto pelos fatos narrados no poema. Ao contrário de Jó, o justo servo incorruptível de Deus, Fausto é o mais corruptos dos homens e não hesita em negociar a própria alma com Satanás. Jó sofre todo tipo de horror e de sua boca nunca sairá uma apostasia. Fausto dá as costas a Deus e se entrega de bom grado a Mefistófeles, o Demônio do Norte, a propósito uma forma de demônio menor, subordinado a Satã.

Gretchen ele mesma, já bem-aventurada, aparece como mediatrix salvadora da alma de Fausto, inusitada aparição!

[É absolutamente relevante sublinhar o elemento “Demônio do Norte”, pois aqui está sintetizado o germanismo cuja essência é negar tudo que nasceu dos povos meridionais da Europa, sobretudo o judaísmo e o cristianismo. É como se Roma jamais tivesse existido. As núpcias de Fausto com Helena simbolizam esse élan. Eufórion, o filho dessas núpcias, é a antecipação do próprio Hitler e suas idéias racistas tresloucadas. Está tudo contido no poema, que assume assim uma faceta profética. O fascinante é que Goethe percebe a loucura, o despropósito, descreve o próprio suicídio do povo alemão e, no entanto, cala sobre a imoralidade dessa idéia nefanda, que moldou o século XX.]

É de Bruno, que influenciou Calderon de La Barca, a idéia da vida como uma representação teatral, cujo texto está escrito nas estrelas, cabendo ao astrólogo (o filósofo) decifrá-lo. Essa é uma idéia central, a ponto de, na cena inaugural, Goethe introduzir o próprio diretor de teatro como personagem. Só depois é que vem o Prólogo no Céu, em que o Deus Todo-Poderoso dará autorização para que Fausto seja tentado por Mefistófeles, que diz os memoráveis versos a Deus:

“De forma estranha ele vos serve, Mestre!

Não é, do louco, a nutrição terrestre.

Fermento o impele ao infinito,

Semiconsciente é de seu vão conceito;

Do céu exige o âmbito irrestrito

Como da terra o gozo mais perfeito,

E o que lhe é perto, bem como o infinito,

Não lhe contenta o tumultuoso peito”.

Uma perfeita descrição do homem moderno, ou da modernidade. Ao que Deus responde, dando a pista para a concepção de Goethe, de cunho teológico:

“Se em confusão me serve ainda agora,

Daqui em breve o levarei à luz.

Quando verdeja o arbusto, o cultor não ignora

Que no futuro fruto e flor produz.”

Fica dito portanto que Fausto é o Favorecido de Deus e, faça o que fizer, está salvo, será levado à luz. Vemos aqui ecos do nominalismo de Guilherme de Ockham, na sua forma protestante assumida pelo puritanismo de João Calvino. Os Eleitos estão desde a Eternidade. A vida pessoal e moral nada significa e as obras dos homens são inúteis como instrumento de salvação. A graça de Deus, só por ele conhecida, é que separará o trigo do joio, nos tempos finais. Deus pode tudo e não há lei alguma que não a vontade de Deus.

No livro OS ANOS DE APREDIZADO DE WILHELM MEISTER temos uma personagem, uma teóloga puritana da seita dos Hernutos, que nos dá a pista para essa visão protestante e puritana adotada por Goethe sobre a escatologia. Em todo o poema podemos identificar a militância iluminista anti-católica e anticlerical do autor, reforçando sua inclinação para a heresia ockhamista e calvinista.

Por fim, a terceira visão filosófica é aquela fortemente influenciada por Spinoza, pelo panteísmo que identifica Deus com a matéria. Mas Goethe vai além, ao incorporar elementos do neoplatonismo de Bruno. Para ele, natureza é tudo, inclusive astrologia e as manifestações da alma. Tudo é natureza. O próprio Mefistófeles é também natureza.

O cântico final do Chorus Mysticus resume seu modo de ver:

“Tudo que é efêmero é somente

Preexistência;

O Humano-Térreo-Insuficiente

Aqui é essência;

O Transcendente-Indefinível

É fato aqui;

O Feminil-Imperecível

Nos ala a si.”

A afirmação categórica da lei das analogias, tão cara à filosofia hermética. “Tudo que é efêmero é somente/Preexistência”. O que está em cima é como o que está em baixo. O próprio homem é também Deus. Assim o entende a modernidade. Microcosmo e Macrocosmo estão sobrepostos e fundidos. O Idealismo é a representação perfeita dessa idéia. Nivaldo Cordeiro

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