31 de janeiro de 2011

Sacrifício contra a opressão

povos oprimidosOntem, como sempre, fui assistir ao programa Manhattan Connection e lá foram exibidas as imagens do jovem marroquino Mohamed Bouazizi, que se imolou pelo fogo diante do palácio do governador. Fiquei comovido, as imagens são chocantes. Ali não se tratou de um gesto político. Foi um ato de desespero de alguém que chegou ao limite da opressão pela pobreza e pelo poder de Estado, que caiu sobre ele impiedosamente. Tomaram-lhe as poucas mercadorias que comerciava, bateram-lhe, cuspiram-lhe. O limite da opressão.

Se na origem o protesto foi existencial, uma revolta contra o próprio destino, o resultado foi político. As forças latentes que queriam a mudança do governo não perderam a chance de usar uma história tão espetacular e tão comovente. O ditador Zine El Abidine foi apeado do poder. Vale a velha frase de sempre: muda-se tudo para nada mudar.. Não creio que as instituições ocidentais possam ser copiadas pelos países com maioria islâmica. Nisso o coro dos analistas políticos está errado. Mesmo a secretária de Estado Hillary Clinton está errada por partir do suposto de que a democracia, como a conhecemos no Ocidente, é o remédio a ser implantado em toda parte.

29 de janeiro de 2011

A necessidade de sonhar

sonhos Os sonhos inspiram a emoção, libertam a imaginação, irrigam a inteligência. Quem sonha reescreve seus textos e reiventa sua história. Sem sonhos seremos servos do egocentrismo, vassalos do individualismo, escravos dos nossos instintos. O maior sonho a ser vendido nessa sociedade consumista é o sonho de uma mente livre. Augusto Cury

Evo Morales o instrumento de poder de Linera

Garcia linera Álvaro Garcia Linera governa a Bolívia: Evo Morales é apenas o símbolo que ele usa

Linera é vice-presidente da Bolívia e presidente do congresso boliviano. É marxista, teórico e militante, e ídolo dos nossos marxistas, como Emir Sader e Marco Aurélio Garcia. É Linera quem manda no governo. Tem todos os poderes e busca reviver a experiência dos governos comunistas da segunda metade do século passado. Está certamente à esquerda de Chávez e é muito mais ideológico que ele. Tem Cuba e Fidel Castro como referência e quer implantar seu modelo na Bolívia. Evo Morales assusta pouco os democratas na Bolívia. Linera assusta muito. A própria percepção que faz de governos como Venezuela, Equador e Nicarágua é extremamente crítica.

O uso de Evo Morales como símbolo é uma mistificação. Evo Morales não sabe falar quechua ou aymara. Era líder sindical dos cocaleiros e não líder indígena. Por sua imagem, assume a questão indígena instruído por Linera que, com isso, pretende realçar elementos de comunidades pré-colombianas proto-comunistas e romper com a cultura ocidental e a memória da colonização espanhola. Ex-blog do César Maia

28 de janeiro de 2011

Obama imita Mefisto

barack obamaOs gigantescos bailout aplicados à economia norte-americana desde 2008, sobretudo depois da posse de Barak Obama, não foram suficientes para resgatar a economia daquele país da crise. Não satisfeito, o governo Obama está injetando US$ 600 bilhões no suposto de que emissão de dinheiro falso tenha o poder mágico de se transformar em riquezas. É a crença da modernidade de que pela mão do Estado e da criação de leis os homens podem escapar às limitações de natureza física e da vida em sociedade. Pensam que encontraram a perfeição em seus decretos.

Recordo aqui do aplauso generalizado que a mídia mundial amestrada fez ao idêntico gesto de Gondon Brown, então primeiro-ministro da Inglaterra. Ele enfiou o pé na jaca, pintou dinheiro falso como nunca antes na história desse mundo, exceto Barak Obama. Brown foi louvado de “corajoso” por ignorar as elementares leis econômicas, no que foi seguido com Nicola Sarkozy. A mídia amestrada no stablishment acadêmico confundiu temeridade com coragem. Essa gente está empenhada em criar um outromundo possível, além da lei da escassez.

26 de janeiro de 2011

Roubando no trânsito

multa de transitoDesde que eu trabalhei na prefeitura de São Paulo, quando tive que interagir, por dever profissional, com os chefes da burocracia do trânsito, e isso já faz muito tempo (Governo Erundina), eu pude constatar como essa burocracia odeia os proprietários de automóveis, atribuindo a eles toda sorte de infortúnios que acontecem cotidianamente nas vias públicas e também por carregarem o pecado mortal de supostamente estarem no extrato superior da pirâmide de renda. Em suma, pensa ela ser os motoristas de automóveis gente rica, egoísta e irresponsável. Eu vi então como tentavam cercar e extorquir, no que podiam, os infaustos motoristas. Sua via principal sempre foi o Código Nacional de Trânsito e as legislações nele apoiadas nas diferentes esferas de poder. Um desses sujeitos de minha época de prefeitura acabou virando diretor do Contram no Governo Lula e conseguiu realizar seus sonhos de comissário disciplinador do trânsito.

O que vimos desde então? O abuso e a injustiça legal se acumulando paulatinamente sobre os donos de automóveis. Hoje o ato de dirigir tornou-se um grande perigo jurídico, de sorte que sair de casa e se envolver em algum acidente banal pode custar caro, até mesmo a liberdade. Beba uma garrafa de cerveja e perderá mais do que a carteira de habilitação, estará cometendo um crime – a rigor um pré-crime, um conceito bastante elástico. Ainda ontem, vindo do litoral, um amigo meu, rigoroso cumpridor de seus deveres e proprietário de carro novo, teve o veículo apreendido e ficou a pé na estrada, por conta de uma filigrana jurídica. Puro abuso de poder ou tentativa de extorsão malograda, que meu amigo nunca pagaria propina. É preciso reduzir o poder dos guardas de trânsito sobre os desprotegidos motoristas.

23 de janeiro de 2011

Concorra a um charmoso Fusca branco, 1980, a álcool, carregado de cervejas

fusca de cervejaFoi um estrondoso sucesso a campanha “concorra a um charmoso Fusca branco, 1980, a álcool, carregado de cervejas”, realizada pelo padre Francisco Moussa da Catedral de Ribeirão (interior de São Paulo), milhares de bebuns fizeram fila na porta da igreja para comprar ao menos um número da rifa na esperança de ganhar o tão cobiçado prêmio.

 

Se a moda pega, é possível que tenhamos a TelePinga que seria administrada pela Caixa Loterias. Caso o prêmio se acumule, irá despertar o sonho de milhares de manguaçeiros, afinal tem muita gente que sonha em enfiar a cara no mé. João Canabrava vai ser o garoto propraganda com o seguinte slogan “Vem pra pinga você também!” Padre Francisco está felicissimo pelo sucesso da campanha, na próxima campanha pensa em alugar o caminhão do Faustão pra encher de “redondas”. Embora alguns fiéis tenha reclamado que a atitude da igreja em promover jogos de azar e o consumo do alcóol se choque com os ensinamentos cristãos, o padre minimizou a questão, lembrando que o importante é “descer redondo”, e se desce quadrado, arranhando a faringe e garganta é por que não é da boa. Juliana Paes concorda plenamente com o piedoso padre.

Elogio à sucata

cine belas artes Nas últimas semanas foi aberto em São Paulo debate sobre o possível fechamento do Cine Belas Artes, que fica na esquina da Avenida Paulista com a Consolação, em São Paulo. Eu passei décadas da minha vida indo lá ver filmes e reconheço que há um apego emocional/afetivo pelo local, especialmente da gente da minha faixa etária. Com base nesse apego é que gente como Nabil Bonduki e José Serra politizaram a questão do possível fechamento, tentando impedi-lo, como se aquele local pudesse guardar um relíquia arquitetônica e fosse um marco na história da cidade de São Paulo.

Tudo isso é uma engano. O atual Cine Belas Artes é um sucata viva, um monumento elevado à decadência das salas tradicionais de cinema. Eu próprio deixei de freqüentá-lo porque ele virou sucata. Cinema hoje é um complexo de alta tecnologia em imagem e som, mas também em arquitetura, conforto, facilidade de acesso e outros elementos imprescindíveis para quem mora em grandes cidades como São Paulo. Por isso o movimento pelo seu tombamento não passa de um exercício de reacionarismo, mesclado com saudosismo. Um embuste emocional. Nem o proprietário e nem o público em geral, sobretudo os jovens, têm qualquer compromisso com as imagens de outrora que esses saudosistas guardam carinhosamente na lembrança.

21 de janeiro de 2011

O mal habita a alma humana

fita metrica Lisboa, Auschwitz, Nova York

Continuando a reflexão sobre o tema do mal no plano coletivo vale a pena comentar três acontecimentos inesquecíveis para o Ocidente. O terremoto de Lisboa, em 1755, foi um marco porque serviu para que ateus, teístas (como Voltaire) e agnósticos reforçassem seus argumentos contra a tradição cristã, que sempre viu nos grandes acontecimentos nefastos a ação do Maligno, e também um serviço aos propósitos divinos. O velho ditado de que não há mal que não traga um bem. A gratuidade de um mal natural como o terremoto de Lisboa serviu assim aos propósitos de um outro tipo de mal que emergia e que era então desconhecido na história: o mal alavancado pelo Estado moderno. Os intelectuais do Iluminismo foram os apóstolos do novo Estado moderno, cuja face hedionda contemplamos cotidianamente na atualidade.

Essa forma de mal fez seus ensaios desde o Renascimento, com as guerras religiosas, as ditas de libertação e a Revolução Francesa e encontrou seu apogeu nas grandes guerras do século passado. As razões de Estado passaram a se sobrepor aos interesses dos indivíduos e a elite dirigente, munida de maus propósitos, fez do Estado a alavanca para levar a maldade a paroxismos indizíveis. Hitler foi um dos exemplos de personificação do mal: a figura faustica, que povoava a mente alemã e européia em geral desde os tempos medievais, nele encarnou. Assim, Auschwitz assumiu a forma nefanda de destruir gratuita e metodicamente, por meios industriais, povos inteiros, especialmente o judeu, sob o falso argumento de perfectibilizar a humanidade. Aqui a maldade envolvia a sobrevivência dos seus autores, era meramente instrumental. Os funcionários dos campos de concentração cumpriam os seus trabalhos (podemos dizer isso?), bem como os fornecedores dos instrumentos de morte desses campos e iam para casa sem qualquer sentimento de culpa.

20 de janeiro de 2011

700 mortos e 8 passaportes, simples irrelevância

irrelevancia petista Demétrio Magnoli

Marco Aurélio Garcia qualificou como assunto “de uma irrelevância absoluta” a concessão de passaportes diplomáticos aos filhos e netos de Lula. Ele, certamente, considera relevante a tragédia que ceifou mais de 700 vidas e destruiu cidades inteiras na Região Serrana do Rio de Janeiro. Os dois eventos, cujos impactos sobre a vida nacional são incomparáveis, estão relacionados, ainda que indiretamente. Eles, além disso, têm igual relevância, pois procedem da mesma fonte: a delinquência atávica de uma elite política hostil ao interesse público.

A lei é cristalina ao listar os critérios que regulam a concessão de passaportes diplomáticos. O ex-ministro Celso Amorim violou a lei, a pedido de Lula, quando presenteou a prole estendida do ex-presidente com o privilégio reservado aos representantes do Estado. O gesto ilegal não é amenizado, mas agravado pelo recurso cínico à invocação do “interesse nacional”. O que o Ministério Público precisa para acusar o ex-ministro e o ex-presidente de abuso de autoridade?

A questão do mal natural

santo agostinhoQuando acontecimentos catastróficos se sucedem ao observador sempre fica a pergunta: por quê? Não há dúvidas de que o Brasil e particularmente o Rio de Janeiro têm sido vítimas de males naturais que não são banais. Centenas de mortos em poucos dias é algo para nos remeter às questões teológicas centrais que tratam do mal. E do mal moral também: não faz muito tempo vimos que as forças da ordem agiram no Rio de Janeiro e centenas de homens armados de fuzis e outras armas típicas de guerras saíram à luz e à vista das câmaras de TV, mal vestidos e mal calçados, em desabalada carreira. São praticantes do mal cotidiano em larga escala. Pudemos ver os subterrâneos do mal moral transbordarem, fazendo fronteira direta com o mal político, pois ao Estado caberia coibir sua ação.

Digo isso a propósito do artigo publicado na Folha de São Paulo de ontem por João Pereira Coutinho (“A doença do crime”), no qual o talentoso jovem lusitano nos lembra a famosa frase de Voltaire, por ocasião do terremoto de Lisboa, em 1755: “Como pode Deus permitir a morte de centenas, milhares de inocentes?” A partir desse mote Voltaire e seus contemporâneos iluministas iniciaram ampla campanha para desacreditar a Igreja Católica e sua doutrina sobre o mal, fundada na obra de Santo Agostinho. Desde então se tem buscado explicação “natural” para todos os males e qualquer referência a Deus e à Providência tem sido ridicularizada pelos ateus e agnósticos como mera superstição.

18 de janeiro de 2011

Prefeito evangelico de Teresopólis perdeu o senso humanitário e briga por cadaveres e doações

Decano da Diocese de Petrópolis diz que situação é de boicote; prefeitura nega

prefeito de teresopolis Em Teresópolis, Prefeitura briga com Igreja e Cruz Vermelha por doações

Bruno Boghossian e Roberta Pennafort - O Estado de S. Paulo

RIO e TERESÓPOLIS - De um lado, donativos que chegam às toneladas de todo o País; de outro, a falta de entrosamento entre a prefeitura de Teresópolis e organizações que tentam fazê-los chegar de modo mais eficiente a quem precisa, como a Cruz Vermelha e a Igreja Católica, cuja iniciativa, segundo voluntários, está sofrendo obstrução por parte do poder público. Até médicos foram impedidos de trabalhar. Enquanto isso, milhares de desabrigados ainda têm dificuldades para conseguir água, alimentos e artigos básicos para sua sobrevivência.

Hoje, voluntários da Cruz Vermelha relataram que funcionários da prefeitura tentaram impedir a saída de carregamentos do galpão montado pela organização internacional no centro da cidade. A prefeitura nega. "Está acontecendo uma briga de egos aqui em Teresópolis. A prefeitura determinou que nada pode ser entregue sem sua autorização", disse Jairo Gama, um dos cem voluntários da Cruz Vermelha em atividade na cidade.

O Haiti é ali - Sem acesso ao IML, famílias enterram corpos no quintal de casa na região serrana do RJ

sepultamento pessoalVinícius Queiróz Galvão, na Folha Online:

Seis dias depois da chuva que devastou cidades da região serrana do Rio, moradores de áreas isoladas estão enterrando parentes e amigos no quintal de casa. É assim em Santa Rita, uma região de sítios em Teresópolis que, depois de sucessivos deslizamentos que derrubaram pontes e estradas, transformou-se em pedaços de terra ilhados. Só é possível chegar à localidade de helicóptero ou através de trilhas pela mata, num percurso de oito horas ida e volta.

Com a impossibilidade de acesso do IML (Instituto Médico Legal) para recolher cadáveres, com a prioridade de resgatar pessoas com vida e com o estado avançado de decomposição, os corpos têm sido enterrados em covas rasas nas ruínas das casas. “Enterrei meus quatro vizinhos no quintal. Já estavam lá desde terça, ninguém suportava mais o mau cheiro”, diz o lavador de carros Edson Aquino, abrigado num estádio de Teresópolis.

15 de janeiro de 2011

A dor dos flagelados da cheia

Ô, Zeca, tu tá morando ond'é, Zeca?
Olha rapaz, eu to morando na sola do pé. Zeca Pagodinho

deslizamento regiao serrana Escrevo porque vi agora uma foto de capa da Folha de São Paulo de hoje. A senhora Monica Cardoso, num flagrante pungente, chora de forma dolorida e desesperançada e no seu chorar expressa a dor de todas as perdas e o desamparo dos desvalidos que, como ela, perderam tudo. Teve que sair de sua casa para sobreviver. A sua dor foi o preço que pagou para sobrevivência. Centenas de outras pessoas não tiveram a escolha e pereceram.

O fotógrafo que fez o flagrante é um artista e transformou em realidade o dizer de que uma imagem fala mais do que mil palavras. No mesmo jornal tem a notícia de que o governo do Estado do Rio de Janeiro tinha estudos que alertavam para os perigos da região serrana, em situações de cheia. Portanto, a incúria dos governantes está mais do que demonstrada. O estudo referido tem dois anos. Nada foi feito pelos que tinham a responsabilidade de fazer alguma coisa, de velar pela vida dos que estavam expostos e ignoravam os perigos. Vidas interrompidas e projetos de existência foram frustrados, como o da sofrida Monica Cardoso. São crimes infames pelos quais as autoridades constituídas deveriam responder em juízo. Bem sei que nada será feito e tudo será oficialmente creditado a catástrofes naturais.

Governo de Sérgio Cabral foi alertado em 2008 sobre risco de desastre em região onde 547 já morreram

tragedia teresopolis Evandro Spinelli Folha de São Paulo

Um estudo encomendado pelo próprio Estado do Rio de Janeiro já alertava, desde novembro de 2008, sobre o risco de uma tragédia na região serrana fluminense -como a que ocorreu na última segunda-feira e que já deixou ao menos 547 mortos. A situação mais grave, segundo o relatório, era exatamente em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, os municípios mais devastados pelas chuvas e que registram o maior número de mortes. Essas cidades tiveram, historicamente, o maior número de deslizamentos de terra. O estudo apontou a necessidade do mapeamento de áreas de risco e sugeriu medidas como a recuperação da vegetação, principalmente em Nova Friburgo, que tem maior extensão de florestas.

13 de janeiro de 2011

Um silêncio ensurdecedor

silencio ensurdecedorÉ verdade que as calamidades recentes de São Paulo e do Rio de Janeiro, trazidas pelas chuvas, com centenas de mortes, em parte foram determinadas por fenômenos naturais incontroláveis, mas em parte foram determinadas pela incúria governamental, sempre incapaz de prevenir qualquer enchente. Não faltam guardas nas esquinas para multar motoristas incautos fundados na lei injusta, verdadeiras ações de expropriação. Mas um mínimo sistema para avisar os motoristas de enxurradas esses governos são incapazes de realizar. Muita gente morreu de forma estúpida e perfeitamente evitável se os governos fizessem sua parte.

Eu próprio fui vítima das enchentes. Cheguei ao aeroporto de Cumbica às 23:00 horas da última segunda feira, onde fiquei ilhado. A família não tinha como me resgatar, os taxis pararam de circular. De forma capenga, tomei ônibus, fui deixado a dois quilômetros da estação do metrô Tietê, de onde fui até a mais próxima da minha casa, de onde tomei um táxi. Chegue em casa às 6:30 da manhã. Depois de ver o tamanho da catástrofe parei de reclamar, minhas perdas foram mínimas.

Estrada de lágrimas

estrada de lágrimas Uma estrada me chama, para onde não sei; sei que ela se encontra diante de mim, convidando-me a seguir, a libertar-me das amarras que me prendem. Ouço a nossa canção que toca insistentemente no radio, relembro os momentos que passamos juntos, os sorrisos, os olhares, os gracejos...

Não mais vejo a estrada, parece que chove... Engraçado! Há águas apenas em meus olhos que não conseguem ver a estrada que via minutos antes.

Ah, amor! Como sua ausência me machuca, dói saber que perdi seu amor, que meus horizontes se redurizam a um muro diante de mim... Sinto um nó na garganta, as mãos inquietas desenham no ar o perfil do seu rosto que tanto me fascina, o som dos ventos que chegam até a mim, parece que sopram seu nome.

10 de janeiro de 2011

Quando dois e dois são cinco

Tudo certo como dois e dois são cinco. Caetano Veloso

dois e doisFaz tempo que não toco, aqui, em assuntos políticos e, se volto ao tema hoje, é para refletir, junto com você, leitor, sobre um fato para mim inusitado. Certamente nem todos concordarão comigo ou simplesmente preferirão desconsiderar esse tipo de perplexidade. De qualquer modo, se eu estiver equivocado, peço-lhe desculpas, mas, sinceramente, neste caso, não opino, constato e com espanto. Constato o seguinte: a eleição de Dilma Rousseff à Presidência da República não me parece real.

Talvez não seja eu o único a pensar assim e que não só a mim a eleição dela pareça inusitada. Tendo a admitir que não. Pode ter ocorrido que, na tropelia da disputa política, meses de propaganda, declarações, acusações, desmentidos, as pessoas se deixaram levar pela paixão e não pararam para refletir sobre o que acontecia. Disputa seja na política seja no futebol, tende a nos cegar, a nos impedir de refletir e ponderar.

8 de janeiro de 2011

Resposta a Jó

jo temente a deus Quando li pela primeira vez, por volta dos trinta anos, o opúsculo de Jung RESPOSTA A JÓ sofri um choque soberbo. Até então me considerava ateu e nunca havia levado a sério nem a teologia e nem as Escrituras. O livro de Jung teve o poder de descortino duplo: de um lado, mostrou que meu ateísmo não passava de ignorância tola; do outro, me dava uma resposta racionalista ao drama da encarnação. Se esse pequeno livro não me viesse às mãos meus interesses intelectuais teriam sido outros e certamente eu seria hoje outra pessoa.

Jung teve experiências espirituais fortíssimas e, como ele mesmo registrou, para ele a fronteira entre o transcendente e o imanente era transparente. Sua autobiografia e o formidável seminário que deu sobre o Zaratustra de Nietzsche, entre 1934 e 1939, mostram como sua alma estava atormentada pelas questões relativas a Deus e à existência moral do homem. Jung teve sonhos e visões fabulosos, alguns premonitórios. Como ninguém ele compreendeu Nietzsche na sua experiência com o Mal, mas o fascínio com o numinoso o impediu de ver o Mal como Mal. No seminário em que ele estudou o Canto Noturno do Zaratustra, por exemplo, Jung se recusou a fazer a tradução do texto do alemão para o inglês, pois, segundo ele, ali falava o próprio Deus Vivo. Quanto engano! O Deus vivo não falava pela alma de Nietzsche. O atormentado filósofo, como um Van Gogh das Letras, lidava mesmo era com a personificação do Mal. Thomas Mann fez muito bem em tomá-lo como personagem principal do magnífico DOUTOR FAUSTO, no qual relata o ocaso da Alemanha tomada por Mefisto.

4 de janeiro de 2011

A pescadora que nunca pescou uma mísera piaba

ideli salvatti, a pescadoraA senadora Ideli Salvatti (PT-SC) nomeada por Dilma Roussef para o Ministério da Pesca foi questionada sobre a sua experiência para comandar a pasta da Pesca. Irritada Ideli respondeu de forma irônica: “Eu pergunto quantos bois, quantos pés de soja foram laçados e plantados pelo ministro de Agricultura".

 

Por conta deste aborrecimento a ministra agora freqüenta um pesqueiro e planeja entrar para o Clube dos Pescadores, seu objetivo é aprender a contar histórias, coisa que todo pescador tira de letra. Ideli acredita que sua atitude vai influenciar o mundo. Depois de imitar Ana Maria Braga a ministra vive uma frustação imensa por não conseguir imitar a Jesus Cristo que multiplicou os peixes. Ideli por enquanto não pescou nada, o dono do pesqueiro agradece a nova cliente que tem engordado os peixes. No mundo da senadora tudo é possível, até laçar pés de soja. Segura peãooooooooo!

2 de janeiro de 2011

A questão do mal

fausto e goethePassei as últimas semanas lendo o livro FAUSTO, de Goethe, e vasta literatura em torno do tema. Essas leituras são destinadas a fundamentar o curso que vou dar sobre o livro neste semestre. Não é uma obra simples, porque está carregada de simbolismos cujo sentido deixou de ser percepção corrente há muito tempo, provavelmente desde que foi escrito. É, por esse aspecto, uma obra muito difícil para os leitores de hoje. No centro do poema está a questão do Mal, da sua personificação.

 

A sociedade laica e atéia que se tornou majoritária em nosso meio sequer dá-se conta da dimensão prática dessa discussão, que só teve algum interesse no período imediatamente posterior à segunda guerra mundial e, ainda assim, sob a perspectiva atéia. Um exemplo conspícuo é a obra de Hanna Arendt, tentando entender o que se abateu sobre a Europa e, em especial, sobre o povo judeu. Creio que ela fracassou por tentar responder à questão escapando ao desafio teológico colocado pelos eventos.

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