Ontem, como sempre, fui assistir ao programa Manhattan Connection e lá foram exibidas as imagens do jovem marroquino Mohamed Bouazizi, que se imolou pelo fogo diante do palácio do governador. Fiquei comovido, as imagens são chocantes. Ali não se tratou de um gesto político. Foi um ato de desespero de alguém que chegou ao limite da opressão pela pobreza e pelo poder de Estado, que caiu sobre ele impiedosamente. Tomaram-lhe as poucas mercadorias que comerciava, bateram-lhe, cuspiram-lhe. O limite da opressão.
Se na origem o protesto foi existencial, uma revolta contra o próprio destino, o resultado foi político. As forças latentes que queriam a mudança do governo não perderam a chance de usar uma história tão espetacular e tão comovente. O ditador Zine El Abidine foi apeado do poder. Vale a velha frase de sempre: muda-se tudo para nada mudar.. Não creio que as instituições ocidentais possam ser copiadas pelos países com maioria islâmica. Nisso o coro dos analistas políticos está errado. Mesmo a secretária de Estado Hillary Clinton está errada por partir do suposto de que a democracia, como a conhecemos no Ocidente, é o remédio a ser implantado em toda parte.



