O encerramento do governo Lula e a posse da presidente Dilma são fatos que nos colocam o desafio de conjecturar o que esperar do ano novo. Estou pessimista, menos pela troca de comando do que pelos fatos da conjuntura. A troca de governante, todavia, deve ser encarada também como sintoma de um tempo que se completou e da abertura de um novo ciclo. Creio que o governo Lula encerra um momento de grande prosperidade, que nada teve a ver com o seu governo. Simplesmente uma conjunção de fatores internacionais favoreceu e, a despeito de suas tolices e dos seus erros, a coisa andou bem para o Brasil.
Dilma assume sob outro signo. Os tempos agora são desfavoráveis. A Europa está colocada diante de um desmonte fiscal que poderá trazer a recessão profunda e prolongada em seu território. Os EUA não estão menos desfavorecidos, sob o desafio da recessão e da inflação. E da inação de Barack Obama, que parece ser esgotado sua política. Ele não sabe o que fazer. A China está agora ameaçada pela inflação e tem que tomar severas medidas de contenção. O somatório de tudo isso é que o ano de 2011 poderá ser o pior, em termos econômicos, em uma década.




